Áudio do Lutador Revela Conflito de Interesses
O lutador e professor de jiu-jitsu, Melqui Galvão, teve sua prisão temporária determinada pela Justiça nesta terça-feira (28) em Manaus, no Amazonas, após a Polícia Civil coletar evidências de abuso sexual envolvendo suas alunas. Um áudio de 16 minutos e 42 segundos foi crucial para a investigação, sendo enviado pelo próprio Galvão à família de uma das vítimas, em Jundiaí, São Paulo. A gravação foi utilizada pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para estabelecer indícios de sua participação nos crimes. Nela, Galvão admite ter tocado a barriga de uma adolescente sob a falsa impressão de que ela estava dormindo. “Eu toquei rapidamente, eu achei que ela estivesse dormindo, uns três segundos talvez, no máximo. Me arrependo profundamente disso”, revelou o treinador durante o registro.
Na mesma gravação, Melqui Galvão nega ter tido intenções sexuais ao ter chamado a aluna para um quarto, justificando que o intuito era apenas uma conversa. Ele enfatiza: “Eu nunca passei mais do que um beijo no rosto dela e um abraço nela”. O lutador também comenta que deixou evidências escritas que poderiam ser utilizadas contra ele, além de mencionar que a intimidade com a vítima “criou coisas” em sua mente. Em um momento de aparente desespero, Galvão declara: “Não é culpa dela, a culpa é minha, tá? Mas é o que eu tenho para falar hoje. Se você denunciar, muita gente vai se prejudicar”. Ele ainda refuta acusações de chantagem ou coerção sexual.
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Investigação e Consequências
A investigação em curso pela Polícia Civil revelou que há pelo menos três vítimas associadas ao lutador, incluindo uma adolescente que alegou ter sofrido abusos quando tinha apenas 12 anos. Os relatos sugerem que Galvão usava promessas de avanço na carreira e ameaças de retirar patrocínios como formas de silenciar as atletas que se sentiam inseguros em denunciar os abusos. Em resposta a essas acusações graves, a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) decidiram banir Melqui Galvão de todas as suas atividades, refletindo uma ação rápida diante do escândalo.
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Além da prisão em Manaus, as autoridades cumpriram três mandados de busca e apreensão em locais associados ao lutador em Jundiaí. Até a última quinta-feira (30), não havia informações sobre a possível transferência de Galvão para o estado de São Paulo, o que poderia facilitar o prosseguimento das investigações e a responsabilidade legal sobre os crimes cometidos.
