Esvaziamento em Manacapuru Levanta Questões sobre a Força Política de Almeida
MANAUS (AM) – O ex-prefeito de Manaus e atualmente pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), deu início à sua agenda de visitas aos municípios do interior nesta sexta-feira, dia 10. A primeira parada foi em Manacapuru, localizada a cerca de 60 quilômetros da capital. No entanto, as imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram que o evento não atraiu o público esperado.
Durante a reunião, o ex-superintendente da Suframa, Coronel Menezes (Avante), que criticou a gestão de Almeida em 2022 e foi flagrado em áudios proferindo ofensas direcionadas ao ex-prefeito e ao seu grupo político, também esteve presente. Vale lembrar que, no mês passado, Menezes fazia parte do grupo político do ex-governador Wilson Lima (UB), mas decidiu mudar de lado, gerando especulações sobre sua real motivação.
No início do encontro, Almeida se referiu a Menezes como “meu deputado”, em uma tentativa de criar uma atmosfera de descontração. Contudo, a cena estava longe de ser a ideal. Na mesa onde o ex-prefeito estava sentado, apenas quatro microfones de veículos de notícias estavam presentes, uma comparação gritante à situação anterior, quando estava no cargo, e suas coletivas atraíam uma quantidade significativa de jornalistas.
Informações da Coluna Cena Política revelam que menos de 20 lideranças políticas compareceram ao encontro de David Almeida em Manacapuru, apesar dos esforços de uma comitiva de assessores que tentaram mobilizar líderes comunitários nas regiões próximas. A filha de Almeida, Aryel Almeida, que também é pré-candidata à deputada federal, compareceu ao evento.
A pré-campanha de Almeida se desenrola em meio a investigações que envolvem pessoas ligadas a sua gestão. Um dos casos mais alarmantes ocorreu em 20 de fevereiro, quando a ex-assessora de David, Anabela Cardoso Freitas, foi detida durante a Operação Erga Omnes, realizada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Esta operação investiga um grupo que supostamente possui conexões em setores políticos, jurídicos e empresariais, vinculado a uma organização criminosa suspeita de estar envolvida com o tráfico de drogas.
De acordo com levantamentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Anabela teria encaminhado mais de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo para a agência de turismo Revoar. Essas movimentações financeiras foram sinalizadas como atípicas pelos órgãos responsáveis, acendendo ainda mais um alerta sobre a transparência nas ações do pré-candidato e seus associados.
Este cenário não apenas gera dúvidas sobre a viabilidade da candidatura de Almeida, mas também reflete um momento crítico para a política no Amazonas, repleta de desafios e reviravoltas. A capacidade de mobilizar apoio e a percepção pública sobre as implicações legais que cercam sua pré-campanha são fatores determinantes que poderão influenciar os próximos passos do ex-prefeito. A expectativa agora recai sobre como ele irá reagir a essas adversidades e se conseguirá reverter essa imagem desfavorável na continuidade de sua trajetória política.
