Espaço destinado à assistência a refugiados permanece sem uso
Migrantes venezuelanos continuam a deixar seu país em busca de melhores condições de vida e, infelizmente, muitos estão chegando a Manaus, onde as expectativas de auxílio parecem não ser atendidas. A sala de atendimento a estrangeiros no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes foi desativada devido à falta de pagamento, enquanto o Governo do Amazonas mantém um contrato de aluguel de quase R$ 50 mil mensalmente para um prédio no bairro Cidade Nova, que deveria servir como Posto de Interiorização e Triagem (Ptrig), mas permanece vazio desde o ano passado.
O local, designado para oferecer suporte a estrangeiros em busca de regularização no Brasil, conta com quase novecentos metros quadrados de espaço, equipado com ar-condicionados e extintores de incêndio, tudo pronto para receber os migrantes, mas, surpreendentemente, sem nenhuma atividade até o momento. Moradores e comerciantes da região relatam que o prédio está abandonado há bastante tempo.
Em um contrato que totaliza quase R$ 2 milhões ao longo de três anos, o Governo do Amazonas vem arcando com aproximadamente R$ 50 mil mensais, mesmo com o espaço desocupado. A secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, Jussara Pedrosa, justificou a inatividade do local citando a necessidade de procedimentos administrativos. Segundo ela, a instalação da rede lógica e a configuração do espaço para receber os computadores e equipamentos é o que tem atrasado a operação do Ptrig. “Nas próximas semanas, estaremos instalando a infraestrutura para que o atendimento comece”, afirmou.
Desafios enfrentados pelos migrantes em Manaus
Localizado a cerca de oito quilômetros da rodoviária de Manaus, onde a maioria dos estrangeiros chega em busca de abrigo, o prédio alugado poderia ser um recurso vital. A distância é semelhante àquela do Aeroporto Internacional, onde também não há mais atendimento disponível, já que um posto de ajuda ao migrante foi fechado por falta de pagamento de R$ 90 por mês. Um boleto obtido pela Rede Amazônica revela os débitos da Secretaria de Justiça com a administração do aeroporto e, segundo a secretaria, não existe uma dívida formalizada, já que segundo ela, “não há contrato” que comprove o débito.
Enquanto o novo prédio permanece sem uso, servidores do estado têm atendido migrantes provisoriamente em uma sala no fundo do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) da Compensa, onde a situação é cada vez mais crítica. Maria Isabel, uma professora que recebeu sua filha, uma das recém-chegadas da Venezuela, lamentou a situação atual em seu país. “Com a prisão do ex-ditador Nicolás Maduro a realidade não melhorou. A luz falta todos os dias e o valor do dólar só sobe”, relatou.
Condições precárias para os refugiados
Nem todos os migrantes têm a sorte de ter onde ficar. Muitos que chegaram a Manaus costumavam se abrigar em um alojamento situado na Avenida Torquato Tapajós, que foi desativado após ser inundado em uma forte chuva no final de março. Vinte venezuelanos que estavam hospedados ali tiveram que ser retirados às pressas, com a ajuda do exército. Recentemente, novas chuvas causaram mais alagamentos no local. A secretária Pedrosa, no entanto, assegurou que os alojamentos não sofreram danos significativos.
Atualmente, o papel de encontrar abrigo para quem precisa recai sobre a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas). O trabalho de apoio é considerado crucial por Lis Martinez, que há anos coordena projetos de capacitação para venezuelanos em Manaus, principalmente voltados para mães solo que desejam evitar a dependência de assistência. “O migrante, no início, pode precisar de ajuda, mas ele é como um bebê: com o tempo, vai se desenvolvendo e eventualmente se integrando à sociedade”, declarou.
Assim, enquanto o prédio no Cidade Nova permanece vazio e sem utilidade, a realidade da acolhida de migrantes em Manaus segue desafiadora, repleta de promessas não cumpridas e a urgência de soluções eficazes para uma população vulnerável que continua a chegar em busca de esperança.
