Investigação Detalha Circunstâncias da Abordagem
No dia 19 de abril, Carlos André foi fatalmente atingido por um tiro no peito na Rua 6, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus. Câmeras de segurança registraram o momento tenso da abordagem policial, revelando um cenário alarmante onde o jovem é cercado e agredido pelos agentes. De acordo com o inquérito, o sargento responsável disparou duas vezes durante a ocorrência. O primeiro disparo foi uma advertência, enquanto o segundo, fatal, atingiu Carlos na região do peito. As imagens capturadas pelas câmeras e pela viatura foram essenciais para esclarecer a sequência dos eventos.
O inquérito indica que a perseguição começou quando o sargento Belmiro e o policial Hudson Marcelo Vilela de Campos avistaram uma motocicleta sem placa. Durante a perseguição, ainda em movimento, foi efetuado o primeiro disparo. Após a queda da moto, Carlos se levantou e se dirigiu à viatura, momento em que o segundo tiro foi disparado, resultando em sua morte.
Indiciamento e Repercussões
Com base nas provas coletadas, o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier foi indiciado por homicídio. A investigação aponta que existiu ‘dolo eventual’, ou seja, o agente assumiu o risco de causar a morte ao disparar. Além disso, o policial estava utilizando uma arma particular no momento do incidente.
A defesa de Belmiro argumentou que a dinâmica apresentada é baseada no inquérito que, segundo eles, afastou as qualificadoras inicialmente cogitadas, restringindo a imputação ao homicídio simples, conforme o artigo 121 do Código Penal. “Acreditamos que em breve a verdade dos fatos será demonstrada”, declarou o advogado da defesa.
Motorista da Viatura isento de Responsabilidade
O policial que dirigia a viatura, Hudson Marcelo Vilela de Campos, não foi indiciado. A Polícia Civil esclareceu que não há evidências de que ele tenha participado dos disparos. Inicialmente, existia a suspeita de que o tiro pudesse ter sido disparado após Carlos já ter caído, mas análises das imagens descartaram essa possibilidade, confirmando que os disparos ocorreram durante a perseguição.
A Justiça do Amazonas revogou a prisão de Hudson após solicitação do Ministério Público do Amazonas (MPAM), que apresentou as gravações como prova de sua inocência. Contudo, a defesa da família de Carlos André discorda da decisão, alegando que o motorista também participou das agressões. O advogado, Alexandre Torres Jr., destacou que testemunhas relataram que, após o jovem ser baleado, o policial desceu da viatura e agrediu Carlos com socos e chutes.
Clamor por Justiça e Temores de Intimidação
A família de Carlos André denunciou intimidações e criticou a condução do caso, expressando dificuldades no acesso às investigações. Diante dessa situação, eles pretendem incluir o policial motorista no processo e solicitar sua prisão novamente. “O que aconteceu foi inaceitável e estamos lutando por justiça”, afirmou a mãe do jovem.
Relato da Família e Contexto do Caso
Testemunhas e familiares relatam que Carlos estava em sua motocicleta quando foi abordado pelos policiais por volta das 2h45. A mãe do jovem encontrou seu filho caído e inicialmente foi informada de que ele havia sufrido um acidente. “Falaram que ele tinha colidido com a calçada e quebrado o pescoço. Quando a perícia chegou, viraram o corpo e apontaram o tiro que ele tomou no peito”, contou ela, visivelmente abalada.
As câmeras de segurança corroboram a versão da família, mostrando os policiais agredindo o jovem. “O que fizeram foi brutal. Não houve uma abordagem, mas sim uma execução”, disse a mãe. O irmão de Carlos, tenente da Polícia Militar, também questionou a versão apresentada pelos agentes, que alegaram que dispararam para o alto. “Como um tiro foi parar no peito dele?”, indagou.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a morte de Carlos foi causada por ferimentos provocados por arma de fogo, além de lesões no pulmão. Este caso levanta questões sérias sobre a conduta policial e o uso da força no Brasil, especialmente em situações de abordagem.
