Uma Nova Roupagem para um Clássico
Reconhecida mundialmente, a obra “Romeu e Julieta” retrata a história de amor proibido entre jovens oriundos de famílias conflitantes em Verona, os Montéquio e os Capuleto. Escrita no final do século XVI, essa trama imortal de William Shakespeare agora ganha uma interpretação inovadora com o espetáculo da Buia Teatro Company, de Manaus (AM), trazendo a essência da Amazônia para o palco.
Em “Romeu e Julieta de Parintins – Ecos da Selva”, a rivalidade se estabelece entre os tradicionais bois-bumbás Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), transformando a ilha do Amazonas na “Verona brasileira”. Nessa adaptação, Romeu (Yago Reis) pertence à nação azul, enquanto Julieta (Maria Hagge) é sinhazinha do Garantido. O amor deles é cercado pela disputa entre as duas agremiações, que se destacam em uma das maiores festas populares do Brasil: o Festival Folclórico de Parintins.
Estreia no CCBB-BH
A apresentação estreia nesta sexta-feira, dia 8 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (CCBB-BH) e ficará em cartaz até 15 de junho. As sessões estão programadas para as sextas e segundas-feiras, às 20h, além de sábados e domingos, às 16h. Os ingressos têm o preço de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), podendo ser adquiridos pelo site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do local.
Tércio Silva, diretor e cofundador da companhia, revela que a ideia para essa adaptação surgiu das pesquisas realizadas pela Buia com clássicos reimaginados para novos públicos. “Fizemos uma versão de Brecht que parecia ter sido escrita para crianças. E então pensei: ‘E se fizéssemos um Shakespeare que fosse acessível para toda a família?’”, questiona o diretor.
A Rivalidade e seu Contexto
O Festival de Parintins se apresenta como o cenário ideal para esta nova abordagem. Tércio compara a rivalidade local a um clássico embate esportivo: “É como Vasco e Flamengo no Rio. A cidade é dividida entre azul e vermelho, e lá, até a Coca-Cola precisa ter ambas as cores. Se não, quem é do Caprichoso não compra”, explica.
Com um texto e canções originais de Tim Rescala, este espetáculo se caracteriza como um musical completo, onde todas as performances são cantadas ao vivo. “É uma fusão da música amazônica com a música brasileira. Nós brincamos que é quase uma ópera popular”, comenta o idealizador.
A música não serve apenas como fundo, mas também como um elemento narrativo. “Ela cria sensações e atua como personagem, contando a história junto com os atores”. Visualmente, o espetáculo se destaca pelos figurinos vibrantes, com mais de 30 trocas durante a apresentação.
A estrutura da obra respeita a versão original de Shakespeare, mantendo personagens como Teobaldo, Paris e o Senhor Capuleto, enquanto ao mesmo tempo incorpora elementos da cultura do boi-bumbá. “Conectamos a brincadeira do Alto do Boi. A tragédia é a tensão central, mas a conclusão levará o público a surpresas”, acrescenta Tércio.
Acessibilidade e Relevância do Tema
O diretor enfatiza ainda que a montagem possui um caráter acessível. “O teatro deve ser um espaço onde todos são iguais, independentemente de classe social, gênero ou raça”. A narrativa foi elaborada para ser clara e compreensível, mesmo para aqueles que não conhecem a obra original ou o evento. “Mesmo quem nunca viu ‘Romeu e Julieta’ ou não conhece o Festival consegue entender e apreciar o espetáculo. É uma interpretação de fácil acesso”, destaca.
Tércio também ressalta a importância do tema nos dias atuais. “‘Romeu e Julieta’ aborda questões de saúde mental, mostrando como os jovens se apaixonam e enfrentam conflitos que herdaram, os quais não são de sua responsabilidade. Estamos falando sobre o futuro deles, que muitas vezes é interrompido”, conclui.
Sobre a Companhia
A Buia Teatro Company, fundada em 2015 em Manaus por Tércio Silva e Maria Hagge, se destaca entre as companhias brasileiras focadas em teatro voltado para a infância. Com sede no centro histórico da capital amazonense, a companhia é reconhecida por seu trabalho autoral, que valoriza a escuta ativa das crianças, a experimentação estética e a cultura da Região Norte do Brasil.
