Postura Pragmatica de Cidade e a Visita de Lula
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, do União Brasil, decidiu transformar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado em uma demonstração de institucionalidade e aproximação política. Lula, que visitará o Amazonas no dia 25 de maio, será recebido por Cidade, que mesmo sem um alinhamento ideológico com o governo petista, afirmou ao BNC que pretende acompanhar a agenda do presidente. Para ele, as divergências políticas não devem comprometer os interesses do estado.
Essa nova postura de Cidade representa uma mudança significativa em relação ao distanciamento político que caracterizou a relação entre o governo federal e o Amazonas durante a gestão de Wilson Lima, do União Brasil, que era aliado de Cidade. Nos bastidores, a percepção é de que o estado do Pará se destacou nos últimos anos na agenda federal, especialmente devido à relação política estreita entre Lula e o ex-governador Helder Barbalho, do MDB, que é um aliado histórico do presidente e anfitrião da COP-30, realizada em Belém.
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Ao se referir à iminente visita de Lula, Roberto Cidade enfatizou a intenção de adotar um discurso pragmático e institucional durante o encontro. “Eu vou receber o Lula; eu tenho juízo”, declarou em uma conversa informal com a reportagem, reafirmando sua determinação em priorizar os interesses do Amazonas, independentemente de quaisquer divergências ideológicas.
O governador também salientou que sua principal bandeira é a defesa do estado: “Trouxe recursos pra cá, eu tô do lado. Não quero saber de direita, de esquerda nesse negócio, não. Quero saber do nosso Estado”, afirmou, ressaltando que o Amazonas não pode viver novamente episódios de isolamento político que, segundo ele, resultaram em uma distribuição desigual de investimentos federais.
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Cidade explicou: “Nós já sofremos muito com isso. O Wilson sofreu muito com isso”, referindo-se à proximidade política entre Lula e Helder Barbalho, que poderia ter contribuído para a alocação de recursos em favor do Pará.
Durante sua explanação, o governador fez uma comparação internacional para reforçar sua posição em relação à visita de Lula. “O Trump não recebeu o Lula? E a gente vai prejudicar o nosso Estado por causa de uma questão de ideologia?”, questionou, evidenciando sua crença de que as questões políticas não devem ofuscar as necessidades do Amazonas.
Esse discurso de Cidade surge em um contexto em que o governo federal está ampliando investimentos estratégicos na Amazônia, com foco nas áreas de meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento regional. A expectativa entre os assessores do governo estadual é que a visita de Lula a Manaus não apenas traga novos anúncios, mas também possa marcar uma reaproximação institucional entre Brasília e o Amazonas.
Nos bastidores, alguns interlocutores do governo estadual sugerem que Roberto Cidade está buscando construir uma imagem de liderança moderada, capaz de dialogar com diversos espectros políticos em prol dos interesses administrativos e econômicos do Amazonas.
