Wilber Muñoz e a travessia histórica do Rio Amazonas
Atravessar o maior rio do mundo parecia impossível para muitos, mas não para o colombiano Wilber Honório Muñoz, conhecido como “homem peixe”. Aos 45 anos, ele embarcou em um desafio singular: nadar desde a nascente do Rio Amazonas, no Peru, onde é chamado Apurímac, até sua foz no Pará, onde deságua no Oceano Atlântico. Inspirado pelo feito do esloveno Martin Strel, que completou o percurso em 2007, Wilber busca não só alcançar essa marca, mas também transmitir uma mensagem clara sobre a importância da preservação ambiental das águas e da biodiversidade que delas depende.
Parintins: um ponto simbólico na rota do “homem peixe”
Durante sua jornada, que já ultrapassa 200 dias, Wilber fez uma parada em Parintins, antes do tradicional Festival Folclórico, conhecido como a “ilha da magia”. Para ele, a chegada à cidade tem um significado especial, pois o festival aborda temas ligados à proteção da biodiversidade amazônica, alinhando-se com a causa que ele defende. Em contato com o Portal Amazônia, o nadador reforçou que sua passagem por Parintins representa um ato simbólico, um chamado para que a cultura local e a consciência ambiental caminhem juntas em defesa do rio e do meio ambiente.
De Neiva ao Brasil: a trajetória de um defensor dos rios
Natural de Neiva, no departamento de Huila, Colômbia, Wilber é também conhecido como Super H em seu país, personagem que criou para sensibilizar crianças sobre o cuidado com os rios. Formado em Educação Física, ele alia conhecimento técnico e paixão pela natureza para enfrentar os desafios da travessia. Sua experiência inclui uma expedição pelo rio Magdalena, onde percorreu 1.600 km em 31 dias, o que serviu de base para seu projeto atual. Com uma equipe de apoio, ele se prepara física e mentalmente para a longa jornada pelo Amazonas.
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Conscientização e desafios ambientais durante a travessia
Ao longo do percurso, Wilber utiliza as redes sociais para compartilhar relatos e vídeos, chamando atenção para a poluição crescente nos rios amazônicos. Em um vídeo narrado em português, ele denuncia a quantidade de lixo gerado durante o Festival de Parintins, alertando que grande parte desse material acaba nos igarapés e rios, prejudicando a fauna e as comunidades ribeirinhas. “Sou um nadador e enviado do rio Amazonas para protegê-lo”, afirma, ressaltando a urgência de preservar as águas para as futuras gerações.
Os desafios da poluição na maior bacia hidrográfica do planeta
A Bacia Amazônica, a maior do mundo, enfrenta sérios problemas de poluição, principalmente devido ao descarte irregular de resíduos plásticos e esgoto sem tratamento. Em Manaus, pesquisas já indicam que o Rio Negro sofre impactos significativos, com toneladas de lixo expostas nas margens durante a vazante. Wilber destaca que seu projeto busca alertar a população sobre o impacto do lixo nos rios e que a responsabilidade maior não é das comunidades ribeirinhas, mas sim do consumo e descarte incorreto nas cidades.
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Solidariedade e apoio comunitário na jornada
Apesar da falta de recursos financeiros, Wilber conta com o apoio voluntário de sua equipe e das comunidades ribeirinhas que encontra pelo caminho. Eles ajudam na alimentação dele e dos animais que o acompanham, como um gato e um cachorro, além de colaborar na documentação da expedição. O “homem peixe” reforça que sua missão vai além da travessia física: é um compromisso com a conscientização ambiental e a proteção dos rios amazônicos, essenciais para o equilíbrio ecológico e a vida das populações locais.
