Artistas indígenas do Amazonas conquistam destaque global
O Amazonas tem ganhado destaque no cenário mundial das artes visuais com quatro artistas indígenas que figuram no topo do mercado internacional, de acordo com o jornalista e galerista de arte Carlysson Sena. Entre esses nomes estão Duhigó, do Povo Tukano; Dhiani Pa’saro, do Povo Wanano; Denilson Baniwa e Uyra, da etnia Munduruku.
Duhigó e Dhiani Pa’saro, que fazem parte do portfólio da Manaus Amazônia Galeria de Arte, empresa gerida por Sena, participam regularmente de exposições em várias regiões do Brasil e no exterior. A galeria tem estabelecido parcerias com galeristas, agentes culturais, ONGs e instituições públicas para ampliar a presença desses artistas em importantes centros culturais.
Presença internacional e reconhecimento em museus
Esses artistas já expuseram obras em cidades como Madri (Espanha), Nova York (Estados Unidos), Lisboa (Portugal) e Paris (França). Duhigó, por exemplo, possui obras em exibição permanente no Museu de Arte de São Paulo, localizado na Avenida Paulista, e também na Pinacoteca de São Paulo. Além disso, participou de uma exposição de artistas indígenas no Espaço Frans Krajcberg, em Paris.
No Brasil, as obras representadas pela galeria de Sena foram apresentadas em Manaus (AM), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e, em breve, estarão na Feira de Arte de Pernambuco, em Recife (PE). Este evento reunirá trabalhos de artistas do Norte e Nordeste do país, reforçando a diversidade cultural dessas regiões.
Exposição Reflexões Amazônicas reúne talentos locais em Manaus
Em Manaus (AM), algumas das pinturas dos artistas da Manaus Amazônia Galeria de Arte compõem a exposição Reflexões Amazônicas, realizada na Galeria de Arte da Livraria Valer Teatro, localizada no Largo de São Sebastião, no Centro da cidade. A mostra, aberta em março e prevista para encerrar em dezembro, também inclui trabalhos de artistas não indígenas, como Monik Ventilari, Juliana Lama e Alessandro Hipz, todos curados por Carlysson Sena.
Os artistas indígenas presentes na exposição, como Duhigó, Dhiani Pa’saro e Sãnipã, compartilham uma trajetória comum: todos são formados pelo Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia (IDC). O IDC tem como missão apoiar quem deseja aprofundar o conhecimento sobre mitologias amazônicas para transformá-las em uma poética artística, além de incentivar a economia criativa no estado.
Desafios e potencial do mercado de arte amazônico
Carlysson Sena acompanha o desenvolvimento desses artistas desde os tempos em que eles estavam no IDC, onde ele também cumpriu estágio durante o curso de jornalismo na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele destaca o potencial dos alunos, que mesmo após aperfeiçoamento encontravam dificuldades para acessar mercados mais amplos e consolidados para comercializar suas obras.
Segundo Sena, o Amazonas representa um “oceano azul” para as artes visuais, um mercado ainda pouco explorado e cheio de oportunidades. Ele ressalta que a região conta com muitos artistas talentosos, mas que falta um ecossistema estruturado que fortaleça e organize o mercado de arte local. Esse ecossistema inclui curadores, produtores culturais, galeristas, agentes, colecionadores e conselheiros de arte, profissionais que precisam atuar em conjunto para equilibrar produção, comercialização e consumo.
Organização e profissionalização são essenciais para o crescimento
O galerista afirma que existem ainda problemas na percepção e conceito do mercado artístico na região, o que dificulta a fluidez entre produção e comercialização. A criação da Manaus Amazônia Galeria de Arte visa justamente organizar o mercado de artes amazonenses e mostrar o potencial dos artistas locais.
“O Amazonas tem muitos artistas bons, o que falta é gestão”, destaca Sena. Para ele, é fundamental que agentes e empresários da cultura também compreendam que o consumo da arte vai além do entretenimento, envolvendo negócios, diplomacia, política, economia e saúde. Esse amadurecimento, na visão do galerista, é crucial para formar um público consumidor que valorize a arte amazônica de forma mais ampla e sustentável.
Atualmente, o consumo local tende a limitar a arte ao prazer estético ou entretenimento, mas a expectativa é avançar para um reconhecimento que envolva seu valor cultural e econômico. Com isso, o Amazonas poderá consolidar sua posição no mercado nacional e internacional das artes visuais.
