A Defesa Civil no centro dos debates sobre desastres naturais
O Rio Grande do Sul enfrenta uma série de desafios climáticos, como enchentes, deslizamentos de terra, estiagem, granizo e tornados. Conforme explicou o coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da Defesa Civil, o estado reúne todas as categorias da Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, que organiza os eventos em grupos geológicos, hidrológicos e meteorológicos.
Essa diversidade de riscos é comparável a um sistema de classificação médica, como o CID da Organização Mundial da Saúde (OMS), que padroniza diagnósticos mundialmente. No caso dos desastres naturais, o RS tem potencial para enfrentar quase todas as “doenças” ambientais possíveis, resultado da combinação dos fatores geográficos, meteorológicos, da ocupação humana e dos efeitos das mudanças climáticas.
Capacitação e mobilização em Erechim
Diante desse cenário, um grupo de voluntários, pesquisadores e gestores públicos da região do Alto Uruguai optou por agir. Entre os dias 31 de março e 2 de abril, Erechim sediou o 1º Clima Summit – Treinamento de resposta a desastres e Encontro de Voluntários, voltado à preparação de equipes de Defesa Civil, gestores públicos, profissionais de emergência e voluntários.
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Na abertura do evento, que tive a honra de mediar, o painel “El Niño – Ações de Prevenção e Resposta” reuniu o coronel Boeira, o coronel Maurício Ferro Corrêa, comandante do 2º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar, Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai e meteorologista Rafael Santana.
Prevenção e desafios para a população gaúcha
Com a previsão de um El Niño mais intenso, assuntos urgentes ganharam destaque. Boeira alertou para o baixo número de cadastrados no sistema de alertas por SMS da Defesa Civil, ferramenta crucial em situações de risco. O coronel Maurício ressaltou a importância da articulação entre órgãos para evitar confusões durante desastres. Ronaldo Manica enfatizou a necessidade de mudança cultural na população para que os alertas de evacuação preventiva sejam levados a sério, enquanto Rafael Santana destacou a relevância de dados científicos confiáveis para previsões climáticas precisas, lembrando os recentes erros nas estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Temas que fortalecem a resposta a emergências
Até o encerramento no domingo (2), o Clima Summit abordou ainda o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), uso de drones e processamento de dados em situações de desastre, comando de incidentes, gerenciamento de abrigos, atendimento emergencial a pessoas com transtorno do espectro autista, comunicação em emergências e cuidados com animais em catástrofes.
A Força Voluntária do Alto Uruguai, criada em 2013, já passou por testes importantes, como a queda de granizo em novembro do último ano, que afetou quase 20 mil pessoas. O encontro em Erechim reforça o espírito de comunidade e mostra que é possível construir uma cultura de prevenção e treinamento, mesmo diante dos desafios climáticos.
Embora não possamos mudar a realidade da emergência climática, podemos transformar a forma como reagimos aos desastres naturais, fortalecendo a segurança e a resiliência da população local.
