Como o tremor da Colômbia foi sentido em Manaus
Na última segunda-feira (10), moradores de Manaus registraram vídeos mostrando objetos como lustres e persianas balançando dentro de suas casas durante um terremoto ocorrido na Colômbia. O fenômeno foi especialmente notado por pessoas que estavam em andares mais altos de prédios na capital amazonense. A pergunta que surge é: como um tremor tão distante, a mais de 2 mil quilômetros, foi sentido aqui?
O mestre em geologia e especialista em engenharia geotécnica, Adnilson Cruz da Silva, explica que o motivo está na geologia da região onde o terremoto ocorreu, assim como no solo típico de Manaus. “Manaus sentiu o efeito do tremor devido ao embasamento rochoso. A área da Colômbia em questão fica na confluência de placas tectônicas, entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana. Essa base rochosa permite que as ondas sísmicas se propaguem por grandes distâncias”, detalhou.
O papel do solo e do embasamento rochoso
O embasamento rochoso é a camada sólida que se encontra abaixo do solo e demais materiais como areia e argila. Essa base varia em profundidade conforme a região. No caso de Manaus, o solo está situado dentro de uma bacia sedimentar, especificamente na Formação Alter do Chão, que é bastante profunda. “Existem áreas em Manaus onde essa formação chega a mais de um quilômetro e meio de profundidade”, afirmou o especialista.
Essa configuração geológica faz com que as ondas sísmicas, mesmo distantes, consigam ser percebidas na cidade. Além disso, as estruturas dos prédios da capital influenciam na sensação do tremor.
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Por que o tremor é mais sentido em prédios altos?
Moradores que estavam em andares superiores relatam ter sentido maior intensidade no movimento. Segundo Adnilson, isso ocorre por um fenômeno chamado ressonância estrutural. “Prédios altos, a partir do oitavo andar, funcionam como um pêndulo invertido. Assim, quem está em andares elevados percebe mais o balanço, mas isso é um efeito normal”, explicou.
O especialista destaca que esse movimento elástico não indica danos na estrutura: “As estruturas balançam e retornam ao normal sem risco de ruptura. Esse balanço é seguro e comum em edifícios desse tipo”.
Prédios de Manaus estão em risco após o tremor?
Apesar do susto, a distância entre Manaus e o epicentro do terremoto, em San José del Palmar, faz com que as vibrações cheguem com intensidade muito reduzida. “Só a ressonância dessas ondas chega aqui, não grandes vibrações”, afirmou Adnilson.
Ele também ressaltou que, mesmo Manaus não estando em área de ocorrência frequente de terremotos, os prédios são projetados para suportar ventos fortes, conforme a norma brasileira NBR 6123. “Essa norma garante que os edifícios novos resistam às ventanias típicas da região, o que também contribui para a segurança estrutural diante de movimentos como o tremor”, completou.
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Detalhes do terremoto na Colômbia
O terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) e causou destruição significativa. O governo reportou 111 mortos e 87 feridos. O abalo derrubou 61 edifícios e 37 casas, deixando pessoas presas nos escombros, enquanto equipes de emergência buscam sobreviventes.
O epicentro foi em San José del Palmar, no oeste do país, a 110 km de profundidade, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A cidade fica a cerca de 230 km de Bogotá e próxima a Medellín e Cáli. Uma réplica de magnitude 5,0 foi registrada cerca de uma hora depois, a 100 km de profundidade.
Este foi o tremor mais forte da Colômbia na última década, conforme o Serviço Geológico local.
