Denúncia revela irregularidades no Corpo de Bombeiros de Manacapuru
Uma denúncia encaminhada às corregedorias da Secretaria de segurança pública do Amazonas (SSP-AM) e do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) expõe um possível esquema de “rachadinha” envolvendo militares que atuam no Balneário do Miriti, em Manacapuru, interior do Amazonas. Segundo o documento obtido pela Rede Amazônica, bombeiros eram oficialmente escalados para o local, mas deixavam o posto antes do término do turno.
A denúncia aponta que parte do pagamento recebido pelos militares era repassada ao comando do batalhão, sugerindo um esquema financeiro ilícito. O Balneário do Miriti, entrada principal de Manacapuru, é o principal ponto de lazer público da cidade, marcado por placas que alertam para o risco de ataques de piranhas, mas ainda assim recebe visitantes regularmente.
Falta de fiscalização e relatos de moradores
Moradores da região relatam a presença rara dos bombeiros no local. Um deles, que preferiu não se identificar, afirmou que os militares aparecem principalmente aos finais de semana, permanecendo pouco tempo no balneário. “Tá sempre vazio. Eles vêm pela parte da manhã… Final de semana. Vêm, batem uma foto e vão embora”, relatou.
Além disso, vídeos obtidos pela Rede Amazônica mostram reclamações sobre a ausência dos bombeiros no balneário durante horários críticos. Uma gravação anônima registra: “Eu tô aqui no Miriti, já é 12h30 quase, vai dar quase 13h e não tem um bombeiro aqui. Tivemos que nos virar porque não tem ninguém para salvar, caso algo aconteça”.
Leia também: SSP-AM e UEA Realizam II Simpósio de Segurança Pública na Amazônia com Ênfase na Pesquisa Aplicada
Leia também: Senado Reconhece Festival de Cirandas de Manacapuru como Patrimônio Cultural Nacional
Fonte: reportersorocaba.com.br
Detalhes da denúncia e suspeitas sobre o comando
Conforme o relatório entregue às corregedorias, as escalas de trabalho eram fraudulentas. Os bombeiros recebiam pelos turnos completos, mas não permaneciam no local conforme previsto. Um áudio anexado à denúncia, atribuído a uma tenente ainda não localizada, sugere que os valores repassados ao comando seriam usados para despesas não oficiais, como a compra de equipamentos.
O documento indica que o esquema teria sido articulado pelo comandante do batalhão de Manacapuru, tenente Emerson de Oliveira Silva, entre janeiro e abril deste ano. O texto também menciona que os militares envolvidos tiravam fotos no local para comprovar presença, mas adulteravam data e hora por meio de configurações nos celulares, configurando uma escala falsa.
Furto de lancha e suspeitas sobre doações de madeira
A denúncia relaciona a ausência dos bombeiros no balneário ao furto de uma lancha da corporação ocorrido em 14 de março. A equipe da Rede Amazônica teve acesso ao boletim de ocorrência que registra o desaparecimento da embarcação. O delegado responsável pelo caso não concedeu entrevista.
Leia também: Ampliação de Cirurgias em Manacapuru e Itacoatiara: SES-AM e Ministério da Saúde Lançam Programa Especializado
Fonte: rjnoar.com.br
Leia também: Crise do Caso Master Agita Cenário Político Brasileiro
Fonte: edemossoro.com.br
Outro ponto levantado é o destino de doações de madeira feitas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) ao Corpo de Bombeiros de Manacapuru. O documento solicita investigação sobre o desaparecimento do material, apresentando comprovantes de doação emitidos em junho e agosto de 2024, além de fotos que comprovam a entrega da madeira.
Reação da comunidade e próximos passos
Moradores cobram providências das autoridades estaduais, ressaltando a necessidade de intervenção para garantir a segurança e a transparência no município. “O governo, o governador, tinha que tomar uma atitude, porque isso não pode acontecer aqui no nosso município”, afirmou um morador ouvido pela reportagem.
As corregedorias da SSP-AM e do CBMAM devem analisar a denúncia para apurar os fatos e definir medidas administrativas e judiciais cabíveis. O caso revela desafios na fiscalização local e reforça a importância do controle rigoroso sobre as escalas de serviço e o uso dos recursos públicos na segurança pública.
