A História de Superação de Filho do Piseiro
“Peço a Deus que minha ficha nunca caia”. Essas palavras refletem a transformação de Everton Silva, 23 anos, conhecido artisticamente como Filho do Piseiro. Originário do interior do Amazonas, o jovem rapidamente conquistou a fama não apenas pelas suas composições criativas, mas também pelo seu inegável carisma e um ritmo contagiante. Com uma mistura de dança e uma voz marcante, a história de Everton é apenas o começo de um sonho grandioso.
Os vídeos de Everton estão bombando nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações. Um de seus clipes mais populares somou quase 60 milhões de visualizações entre Instagram e TikTok. “Espero que essa fase de novidade não acabe. Não quero parar de me surpreender”, compartilha o artista. Porém, antes de todo esse sucesso, sua trajetória começou de forma modesta, na infância.
Do Caldeirão de Iranduba ao Palco Nacional
Crescido no Caldeirão, um pequeno povoado de Iranduba, no Amazonas, Filho do Piseiro sempre se destacou pela desinibição. Desde os cinco anos, ele já mostrava seu talento artístico de uma maneira peculiar. “Eu sabia que queria ser cantor, mas também contava piadas. Sentava em um tronco e cobrava 25 centavos para o pessoal ouvir minhas histórias”, lembra, rindo.
A transição para a música profissional ocorreu anos depois, no final do ensino médio, em 2019, quando uma paródia que ele fez viralizou na televisão. Esse momento foi crucial para receber o apoio da família, especialmente de um tio que financiou a compra do primeiro violão e microfone. Everton aprendeu a tocar sozinho e, em três meses, já tinha um repertório para se apresentar em eventos particulares.
Desbravando o Mercado Musical
Nos últimos cinco anos, sua carreira foi guiada pela intuição e pela falta de experiência comercial. “No início, eu não sabia quanto cobrar. Quando perguntavam, eu dizia: ‘o que o coração mandar’. Muitas vezes, o ‘coração’ não mandava nada e eu acabava sendo enganado”, desabafa. A mudança veio com a chegada de um assessor que profissionalizou sua agenda e suas redes sociais.
Apesar das dificuldades iniciais, uma sensação de que algo maior estava por vir nunca o deixou. Em 2025, um vídeo em que ele fazia o “swing no gogó” viralizou, alcançando 18 milhões de visualizações e abrindo portas para o programa Silvio Santos, além de chamar a atenção de todo o país.
Uma Nova Fase em Fortaleza
Para se concentrar na carreira, Everton decidiu trocar o Norte pelo Ceará em janeiro deste ano, buscando estar mais próximo do centro do gênero musical que representa. Essa mudança trouxe resultados imediatos: em apenas dois meses em Fortaleza, ele lançou dois sucessos, como “Meu pai paga minha faculdade”, que alcançou o Top 1 no Viral Brasil e o Top 3 Global do Spotify. Seu sucesso também se espalhou internacionalmente, com clubes de futebol da Europa, como Chelsea, Juventus e Lyon, utilizando suas músicas.
O Nome que Carrega um Significado
A escolha do nome artístico não foi acidental. Para Everton, seu nome verdadeiro não transmitia a energia necessária para os palcos. “Precisava de um codinome. Optei por ‘Filho’ porque estava nascendo na música, e ‘Piseiro’ representa alegria. No Norte, piseiro não é apenas um ritmo, é sinônimo de diversão e celebração”, explica. O acrônimo FDP, que pode parecer polêmico, foi reinterpretado por ele como uma missão: levar “desmantelo” e felicidade ao público.
Performance e Inovação no Palco
A performance do Filho do Piseiro é um verdadeiro espetáculo, combinando referências de memes da internet com o tradicional forró de Manaus. Um dos pontos altos de seus shows é o “swing no gogó”, uma técnica vocal que imita o som da sanfona e é inspirada em ídolos como Claudio Ney e Juliana.
Além do talento vocal, a agilidade física do cantor impressiona. Ele começou a arriscar acrobacias no palco após um desafio em um show. “Um cara me ofereceu R$ 100 para eu dar um mortal. Eu só tinha feito isso na água, mas aceitei o desafio e deu certo. Depois, ele me pagou mais para fazer a abertura de pernas igual ao Van Damme. Saí daquela noite com R$ 850”, recorda, rindo. O “golpe do Van Damme” se tornou sua marca registrada e incendiou suas apresentações.
A Conquista do Mundo Através da Música
Se antes a distância entre as casas na sua vizinhança era de um quilômetro, hoje o mundo parece estar ao alcance de seu talento. Quando chegou a Fortaleza, em janeiro de 2026, ele tinha cerca de 300 mil seguidores. Em apenas dois meses, isso saltou para mais de 2 milhões no Instagram, com vídeos acumulando mais de 30 milhões de visualizações.
“É bizarro ver os números subindo. O Brasil e o mundo estão me reconhecendo”, comemora. Seu alcance chegou a personalidades como Neymar, Juliette e Celso Portiolli. Mais do que a fama, o que mais emociona o cantor é a capacidade de fazer a música regional atravessar gerações. “A verdadeira conquista é ver crianças e idosos dançando e curtindo o piseiro. Isso é muito gratificante!”
No entanto, Everton sabe que ainda há muito a ser feito. Seu foco agora é diversificar projetos, mas, acima de tudo, ele não deseja ser apenas um fenômeno passageiro. “Quero perpetuar a arte que vem do Norte, mas também trazer a riqueza cultural do Nordeste. Com as agendas para o São João praticamente lotadas e a gravação de um DVD prevista na minha cidade natal, meu objetivo é claro: não quero cair no esquecimento. Desejo ser uma referência na música brasileira”, conclui.
