O Desaparecimento e a Redefinição de Esperanças
Nesta semana, um telefonema inesperado trouxe uma mistura de esperança e angústia para a palestina Maha Abu Shaar, que há 18 meses vive o luto pela ausência de seu filho, Eid Nael Abu Shaar. O jovem, que na época de seu desaparecimento contava com apenas 23 anos, saiu de casa em Netzarim, na Faixa de Gaza, em busca de trabalho. Desde então, sua família passou a considerá-lo uma das mais de 73 mil vítimas do conflito na região, com registros oficiais que sugerem números ainda mais alarmantes.
A última vez que Maha viu Eid foi em 15 de dezembro de 2024. Desde então, sua busca incansável o levou a hospitais, necrotérios e centros de refugiados, na esperança de encontrar alguma pista sobre seu paradeiro. Sua determinação foi testada pela dor da incerteza, e até mesmo o atestado de óbito chegou a ser emitido, uma tentativa do governo israelense de dar fim à espera angustiante da família.
Embora Maha tenha visitado diversos locais em busca de seu filho, a versão oficial de sua morte nunca foi corroborada, já que ela nunca viu o corpo. Para ela, a crença de que Eid poderia ter sido soterrado durante os bombardeios na região no dia em que desapareceu era uma possibilidade real, especialmente com as informações desencontradas. Contudo, tudo mudou quando recebeu uma ligação de Nada Nabil, uma jornalista e diretora do Centro Palestino para Busca de Desaparecidos. Essa ligação trouxe a confirmação de que Eid estava vivo, detido no presídio de Ofer, próximo a Jerusalém.
Desaparecidos e a Realidade Palestiniana
Em entrevista à Al Jazeera, Nabil explicou que o caso de Eid não é um caso isolado. Estima-se que entre sete mil e oito mil palestinos sejam considerados desaparecidos atualmente. De acordo com a jornalista, a realidade é ainda mais sombria, uma vez que aproximadamente dois mil desses indivíduos podem estar vivos, mas presos em instituições israelenses, uma informação que frequentemente não é divulgada pelos envolvidos.
“A recusa de Israel em fornecer informações sobre detidos como Eid não é um descuido administrativo, mas uma tática militar deliberada para prolongar o sofrimento das famílias palestinas”, afirma Nabil. Para ela, essa política de sigilo absoluto não é apenas uma falha no sistema, mas uma estratégia de tortura psicológica, projetada para agravar a dor e o desespero das famílias que buscam respostas.
A comunicação entre Nabil e Maha foi vital durante a busca, com a jornalista contatando várias entidades ligadas ao sistema carcerário israelense. A dificuldade e a complexidade do processo para requerer a libertação de Eid são significativas, e não há informações claras sobre os motivos de sua prisão ou se ele enfrenta alguma sentença judicial.
A Esperança de Uma Mãe
Apesar das dificuldades, Maha continua a alimentar a esperança de que seu filho retorne para casa. Em uma mensagem à Al Jazeera, ela expressou sua felicidade ao saber que Eid está vivo, mas também confessou uma nova preocupação: “Estou feliz, mas agora meu coração está ainda mais preocupado, pois sei que ele pode estar sofrendo naquelas celas. Não ficarei completamente feliz até poder tê-lo em meus braços novamente”, desabafou. O chamado de uma mãe ressoa com um desejo de justiça e liberdade, em meio a uma situação repleta de incertezas.
