Desafios da Geração Z no mercado de trabalho
MANAUS – Ao recordar sua experiência como jovem aprendiz na área administrativa de uma empresa em Manaus, Lanakelly Silvaneira*, de apenas 21 anos, revela que muitas vezes se sentia ignorada nas decisões da equipe, além de frequentemente ser desrespeitada por sua idade. “Meu empenho e seriedade eram constantemente questionados, e minhas sugestões quase nunca eram consideradas. Após dois anos na empresa, uma colega ainda não se dirigia a mim pelo meu nome, me chamando apenas de ‘ei, menina’ ou ‘ei, garotinha’. Isso alimentava os comentários negativos sobre a ‘geração Z’, geralmente em tom de indireta”, conta a jovem, que atualmente estuda psicologia.
Uma pesquisa realizada pela plataforma Intelligent.com mostra que 60% dos empregadores demitiram funcionários da geração Z, que compreende os nascidos entre 1997 e 2010. Os principais motivos apontados para as demissões são a falta de motivação ou iniciativa (50%), comunicação deficiente (39%) e falta de profissionalismo (46%).
Conflitos Geracionais e Expectativas no Trabalho
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Fonte: bahnoticias.com.br
Segundo Caroline Araújo, profissional de Recursos Humanos, o desentendimento entre gerações ocorre devido à falta de compreensão da geração anterior em relação à visão de trabalho da geração Z. “É comum vê-los reclamando das novas gerações. As profissões tradicionais estão perdendo espaço para modelos de trabalho que valorizam a criatividade e a liberdade. A geração Z deseja mais do que um salário: eles buscam um ambiente de trabalho saudável e inspirador”, ressalta Caroline.
A geração Z cresceu em um mundo repleto de estímulos digitais, redes sociais e ferramentas de Inteligência Artificial. Essa realidade moldou novas habilidades, mas também trouxe desafios como rotinas aceleradas e a superficialidade nos relacionamentos, o que pode impactar sua saúde emocional.
A Importância da Diversidade nas Empresas
Melina Caddah, psicóloga e gestora de RH, enfatiza a necessidade de equilibrar as diferentes gerações dentro do ambiente corporativo. Em uma empresa onde 20% dos funcionários têm entre 21 e 28 anos, 8% são jovens até 21 anos e 12% são profissionais acima de 50 anos, ela observa: “A geração Z é frequentemente rotulada como sensível e com dificuldades de relacionamento. Contudo, é essencial reconhecer que as gerações mais velhas também enfrentam desafios para compreender as mudanças de comportamento e valores que caracterizam os jovens, que cresceram em um mundo com mais acesso à informação e menos tolerância a ambientes rígidos.”
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Mariah Andrade, líder de uma empresa com mais de 700 funcionários e 25 lojas em Manaus, também defende a diversidade geracional em processos seletivos. Ela atribui a dificuldade na convivência intergeracional à comunicação. “Nossa empresa é uma porta de entrada para jovens em busca do primeiro emprego. O conflito é real, principalmente pela falta de comunicação. No entanto, a diversidade de gerações traz muitos benefícios. Acredito no potencial da geração Z e na força de equipes que conseguem unir diferentes gerações em torno de um mesmo propósito”, explica Mariah.
Estratégias para um Ambiente Inclusivo
Especialistas sugerem que as empresas adotem medidas que fortaleçam e incentivem o desenvolvimento das habilidades da geração Z. “Esses jovens têm um papel ativo na inovação, agilidade e domínio da Inteligência Artificial, trazendo uma visão crítica sobre a cultura organizacional”, destaca Melina Caddah. “Para que essa contribuição seja eficaz, os jovens precisam de um ambiente que lhes ofereça oportunidades e abertura para expressar suas ideias.”
Além de promover a diversidade, é fundamental que empregadores criem espaços de escuta e troca de experiências entre os colaboradores. Caroline Araújo afirma que o respeito é a chave para um diálogo produtivo. “O respeito surge a partir da escuta ativa. É essencial valorizar o que cada um tem a agregar. Porém, enquanto muitos profissionais mais experientes não conseguem enxergar as habilidades da geração Z, há jovens que ainda têm dificuldades em reconhecer a sabedoria que a experiência pode oferecer”, comenta.
“No ambiente de trabalho, cada conhecimento se complementa. Os jovens trazem uma perspectiva de transformação, enquanto os mais velhos costumam ser mais cautelosos e reflexivos. Existem conflitos, mas também formas de transformá-los em aprendizado mútuo”, conclui Melina Caddah.
*Lanakelly é um nome fictício utilizado para preservar a identidade da entrevistada.
