Desafios e Oportunidades no Mercado Brasileiro
No último sábado, o CEO global da H&M, Daniel Ervér, realizou a inauguração da primeira loja da marca sueca no Rio de Janeiro, com planos para abrir novas unidades no futuro. Durante entrevista ao GLOBO, Ervér destacou que a entrada da empresa no Brasil exigiu uma análise detalhada do mercado, que considera “complexo”, mas repleto de potencial para se tornar um motor de crescimento para a companhia, que visa expandir sua presença na América Latina.
“O desafio no Brasil não é a falta de demanda, mas sim encontrar o shopping certo para estabelecer nossas operações”, afirmou. A H&M já está atuando em outras regiões do país, com lojas em Campinas e três em São Paulo, além de um canal de vendas online que recentemente foi lançado. Na inauguração da unidade no Shopping Rio Sul, o CEO enfatizou a importância de associar a marca à cultura local e revelou planos para outras capitais brasileiras.
Com mais de 20 anos de experiência na H&M, Daniel Ervér começou sua carreira como estagiário em uma loja em Estocolmo, passando por diversos cargos na companhia até se tornar CEO há pouco mais de dois anos. A marca, que se posiciona como um fornecedor de moda durável, busca se distanciar do rótulo de fast fashion, enfatizando o valor de peças que podem ser passadas de uma geração para outra. “Por exemplo, minha filha mais nova herda roupas das irmãs”, comentou Ervér.
Foco no Fornecimento Local e Sustentabilidade
O executivo também revelou que a H&M está avaliando a possibilidade de implementar uma plataforma de revenda de vestuário semelhante àquelas que já operam em outros países. Contudo, sua prioridade imediata é fortalecer a rede de fornecedores locais. “Estamos interessados em ampliar nossos parceiros de produção no Brasil, especialmente em categorias como jeans, acessórios e moda praia”, disse.
Ao ser questionado sobre a demora da H&M em chegar ao Brasil, Ervér explicou que a empresa estudou detalhadamente o mercado antes de tomar a decisão de entrar no país. “Queremos aproveitar o potencial que o Brasil oferece, mas é preciso entender que o cenário atual é desafiador”, disse, referindo-se ao contexto econômico complicado, marcado por altos juros e inflação.
Para navegar nesse ambiente, a marca aposta na eficiência de custos e na utilização de fornecedores locais como forma de fortalecer sua competitividade. “O Brasil exige muito de nós e ter parceiros locais pode ajudar a melhorar a relação custo-benefício para o consumidor”, ressaltou o CEO.
Planos de Expansão e Contexto Econômico
Sobre o cenário de negócios no Brasil, Ervér reconhece que a elevada carga tributária e a complexidade administrativa representam desafios adicionais. “Estamos constantemente aprendendo como operar nesse ambiente. Não existe uma solução rápida, e precisamos estar atentos às variações desse mercado”, declarou.
Ele destacou ainda que a H&M está atenta a questões globais que podem impactar seus planos de expansão, como guerras e a disrupção provocada pela inteligência artificial. “Mesmo diante de um cenário turbulento, acreditamos que há espaço para crescer, desde que consigamos oferecer um sortimento adequado e um valor real ao consumidor”, afirmou.
Para o futuro, a H&M já planeja abrir novas lojas no Rio de Janeiro, incluindo uma unidade no Norte Shopping. Além disso, o executivo mencionou a busca por espaços em Belo Horizonte e Brasília, com a expectativa de que essas aberturas ocorram até 2027. A empresa, que já conta com cerca de 600 funcionários no Brasil, está ampliando seu centro de distribuição em Extrema, Minas Gerais, para atender à crescente demanda.
Adaptação ao Consumidor Brasileiro
Daniel Ervér enfatiza a necessidade de se adaptar ao gosto do consumidor brasileiro, que valoriza moda e qualidade. “Não faz sentido replicar o que fazemos na Suécia. Aqui, o cliente aprecia peças com design elaborado e bons acabamentos”, afirmou. Essa estratégia visa posicionar a H&M de forma competitiva em um mercado onde a concorrência é acirrada, especialmente com o crescimento de plataformas asiáticas.
O CEO acredita que a igualdade de condições competitivas é fundamental para o sucesso em qualquer mercado. “Precisamos garantir que todos joguem com as mesmas regras, pagando impostos e seguindo normas de segurança. A concorrência saudável é benéfica para os consumidores”, concluiu.
A H&M está, portanto, em uma trajetória de crescimento e adaptação no Brasil, buscando se consolidar como uma marca que respeita e incorpora a cultura local, ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios de um mercado complexo e em constante mudança.
