Iniciativa pioneira fortalece inclusão socioeconômica na Amazônia
O Brasil é um país de acolhimento para mais de 160 nacionalidades diferentes, entre refugiados e migrantes que chegam ao território nacional buscando proteção e melhores condições de vida. Na Amazônia, especialmente nas capitais, esse fluxo tem se intensificado, motivado por conflitos e falta de oportunidades em seus países de origem. Para apoiar essa integração, o ACNUR (Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados) lidera esforços que aproximam essas comunidades de empresas locais, promovendo emprego e renda.
Fórum Empresas com Refugiados: uma estratégia de inclusão e competitividade
Segundo Davide Torzilli, representante do ACNUR no Brasil, a contratação de trabalhadores refugiados vai além da responsabilidade social, representando um diferencial competitivo para as empresas. O Fórum Empresas com Refugiados, criado há cinco anos em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, reúne atualmente 160 organizações empresariais que promovem a capacitação e contratação de refugiados em todo o país.
O fórum já contabiliza mais de 17 mil pessoas refugiadas contratadas, além de milhares que tiveram acesso a treinamentos e apoio ao empreendedorismo. Em 2025, foi lançado o primeiro hub do fórum em Manaus, o Hub Amazonas, para fortalecer a conexão local entre empresas e refugiados, facilitando a contratação e adaptando as ações às demandas regionais. O hub conta com 22 participantes, incluindo empresas importantes como a Bemol.
Expansão e desafios na integração local
Inspirado pelo sucesso do Hub Amazonas, o ACNUR lançou também hubs no Paraná e Rio Grande do Sul, priorizando estados com maior presença de refugiados e demanda empresarial. Esses hubs buscam diminuir receios das empresas quanto à contratação, esclarecer dúvidas sobre documentação e processos trabalhistas, além de promover boas práticas para garantir um ambiente favorável à inclusão.
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Um dos principais desafios identificados é a barreira do idioma, que o ACNUR e parceiros têm combatido com o investimento no ensino do português. Curiosamente, a diversidade linguística é vista como um ativo pelas empresas, já que amplia possibilidades de atuação em novos mercados.
Perfil dos refugiados na Amazônia Legal e impactos econômicos
A Amazônia Legal abriga cerca de 200 mil refugiados ou pessoas com necessidade de proteção internacional, em sua maioria venezuelanos, incluindo populações indígenas com desafios específicos de integração. Também há presença crescente de haitianos e cubanos, esta última nacionalidade com número expressivo de solicitantes de refúgio no Brasil.
Mesmo diante da oferta limitada de empregos formais nas capitais da região Norte, o crescimento econômico impulsionado pela Zona Franca de Manaus tem aberto espaço para a inclusão de refugiados no mercado de trabalho. Parcerias recentes, como a firmada entre ACNUR e Suframa, reforçam o compromisso com políticas de sustentabilidade e inclusão social.
Superando obstáculos e fortalecendo a diversidade
Além do preconceito, as empresas enfrentam dúvidas sobre a documentação necessária para contratar refugiados, embora a legislação brasileira assegure o direito ao trabalho dessas pessoas. O ACNUR oferece suporte para esclarecer esses pontos e promove a valorização da diversidade, destacando que os refugiados trazem experiência, conhecimento e desejo de recomeçar, beneficiando as empresas com inovação e maior retenção de talentos.
Manaus como referência e perspectivas de expansão
O êxito do Hub Amazonas deve-se ao compromisso local e parcerias estratégicas, como a com a Suframa. Com menos de um ano de funcionamento, o hub já conta com mais de 20 empresas participantes e serve como modelo para a criação de hubs em outros estados da Amazônia Legal. A intenção é expandir ainda mais essa rede, incluindo a instalação de um hub em Roraima.
Parcerias com o setor privado em cenário de cortes internacionais
A colaboração com empresas não é apenas uma resposta à redução dos recursos internacionais para ações humanitárias, mas uma estratégia consolidada para promover inclusão e sustentabilidade. O ACNUR destaca que a participação do setor produtivo fortalece o ambiente favorável à diversidade e contribui para a economia local, beneficiando tanto refugiados quanto as comunidades brasileiras de acolhida.
Desafios financeiros e o papel da sociedade brasileira
Com cortes significativos no orçamento global, especialmente devido à redução de aportes dos Estados Unidos e países europeus, o ACNUR enfrenta limitações para manter programas e equipe. Atualmente, apenas cerca de 18% do orçamento está financiado, o que reforça a importância do apoio do setor privado e da sociedade brasileira para garantir a continuidade das ações.
Refugiados climáticos e resiliência na Amazônia
Embora o termo “refugiado climático” não conste no direito internacional, o ACNUR reconhece a crescente necessidade de atender pessoas deslocadas por desastres naturais, como enchentes e secas, que afetam especialmente comunidades vulneráveis. Na Amazônia, a organização trabalha para fortalecer a resiliência dessas populações, promovendo uma integração socioeconômica sustentável, capaz de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
