O Caminho de Lucas Moraes no Automobilismo e nos Negócios
Lucas Moraes, um nome em ascensão no mundo do automobilismo, trocou as competições de moto pela velocidade das provas de rally após uma lesão no quadril. Aos 21 anos, ele decidiu se aventurar na Califórnia e, com isso, formulou uma ideia inovadora: utilizar a inteligência artificial para auxiliar brasileiros no controle de gastos. Em 2016, fundou a Olivia, uma fintech que foi adquirida pelo Nubank em 2021 por mais de R$ 200 milhões.
Atualmente, Moraes ostenta o título de primeiro brasileiro a conquistar o campeonato mundial de rally raid, uma modalidade exigente de navegação em terrenos off-road, como o famoso Dakar. Essa conquista é a primeira do Brasil no automobilismo desde a época de Ayrton Senna, que fez história em 1991.
Patrocinado por grandes marcas como Red Bull, Renault e Vivo, Lucas é acompanhado na carreira por Geraldo Rodrigues, um empresário com vasta experiência que já gerenciou Rubens Barrichello. O piloto se destaca também como investidor-anjo, mostrando-se cuidadoso em suas escolhas: “O que faço já é muito arriscado, então preciso proteger meu capital. Invisto em pessoas que conheço e confio,” revelou Moraes durante uma entrevista à Bloomberg Línea.
Entre suas apostas, destacam-se a zMatch, uma plataforma de assinatura de carros elétricos, e a OutField, uma holding de investimentos voltada para o setor esportivo. A filosofia de montagem de equipes que utiliza nas competições também se aplica ao seu dia a dia. Na atual temporada, corre pela Dacia, marca romena do grupo Renault, ao lado do navegador alemão Dennis Zenz, formando uma equipe que inclui o francês Sebastian Loeb e o qatari Nasser Al-Attiyah.
Nos negócios, Moraes se inspira nos ensinamentos de Warren Buffett: ele investe apenas no que compreende e adota uma visão de longo prazo. “Você aprende a fazer os ziguezagues certos para seguir em frente,” reflete ele sobre sua jornada, que ainda almeja conquistar o Dakar para completar todos os títulos possíveis.
Reflexões Sobre Derrotas e Sucesso
Questionado sobre o que as derrotas podem ensinar, Moraes destacou a importância do processo de aprendizado. “Quando algo dá errado, você realiza um debriefing mais detalhado com sua equipe. Essa análise permite identificar erros de setup do carro ou de navegação, o que ajuda a pensar em melhorias. Prefiro ver o erro como um degrau, e não como uma punição. A evolução nunca é uma linha reta.”
A convivência com grandes nomes do automobilismo, como os campeões Sébastian Loeb e Nasser Al-Attiyah, também enriquece sua experiência. “Pude observar como eles pensam e tomam decisões durante as provas, e isso teve um grande impacto na minha decisão de trocar de equipe,” afirma.
Conciliação entre Atletismo e Empreendedorismo
Moraes enfatiza a importância de se cercar de pessoas que complementam suas habilidades. “Quando surgiu a oportunidade de participar do Dakar, a primeira pergunta foi: quem eu preciso ao meu lado?” Essa abordagem, que pode parecer clichê, é fundamental para o seu sucesso, tanto nas competições quanto em seus empreendimentos.
Além disso, sua experiência ao redor do mundo, recebendo prêmios em países como Uzbequistão e Ruanda, ampliou sua visão sobre diversas culturas. Para ele, a realidade de um lugar é frequentemente muito diferente das percepções que se tem antes de visitá-lo, uma lição que já aprendeu nos Sertões, mas agora sob uma perspectiva global.
Planos Futuros e Legado Pessoal
Sobre o futuro do rally no Brasil, Moraes acredita que os Sertões poderiam integrar o calendário mundial. “Acredito que nos próximos cinco anos isso pode acontecer, e o momento é agora,” afirma, destacando a competição com outros países que também aspiram a essa inclusão.
Acima de qualquer título, o que realmente importa para Moraes é o legado que deixará. Ele deseja ser lembrado como um bom pai para a sua filha Valentina, de 6 anos, e o pequeno Rafael, de 2. “A parte mais difícil da carreira é ficar longe deles, mas isso serve como motivação. Cada medalha que trago é motivo de orgulho para eles, e isso me impulsiona tanto quanto qualquer pódio,” conclui.
