Repercussão da abordagem que resultou em morte
A Justiça do Amazonas decidiu pela prisão de dois policiais militares envolvidos na morte de um jovem durante uma abordagem em Manaus, onde a vítima foi atingida por um tiro no peito. O incidente, capturado por câmeras de segurança, mostra o momento em que o jovem é cercado e agredido pelos agentes. O caso gerou grande repercussão na sociedade e nas redes sociais.
A decisão de prender os policiais, identificados como Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos, ocorreu após a manifestação do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). O órgão apontou que existem indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, além da necessidade de prisão cautelar para garantir a ordem pública e a continuidade das investigações.
O MPAM também recorreu da decisão anterior, que havia concedido liberdade provisória a Belmiro, com a imposição de medidas cautelares. Na apelação, a promotora Adriana Espinheira ressaltou a gravidade do caso e o risco de interferência nas apurações. O pedido de prisão preventiva também foi fundamentado em uma representação feita pela autoridade policial que investiga o caso.
O site g1 tenta contatar a defesa dos policiais citados, mas até o momento, não obteve resposta. A Polícia Militar do Amazonas também foi questionada sobre sua posição em relação à decisão judicial, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Novos elementos na investigação
O juiz Alcides Carvalho Vieira Filho revisou o processo após considerar novos elementos, especialmente os vídeos que foram anexados à investigação. Nas imagens, é possível observar que a vítima não oferecia resistência durante a abordagem, o que levanta questionamentos sobre a conduta dos policiais.
Além disso, a decisão judicial indicou sinais de uso excessivo da força e inconsistências nas versões apresentadas pelos agentes. Para o magistrado, esses fatores reforçam a urgência da prisão preventiva para assegurar a ordem pública e uma investigação justa.
A morte do jovem segue sob investigação, gerando um forte clamor social por justiça e mudança nas práticas policiais.
Família contestou versão da polícia
De acordo com os familiares da vítima, o jovem estava em uma motocicleta quando foi abordado pelos policiais por volta das 2h45. A mãe dele contou que, ao chegar ao local, encontrou o filho caído ao lado da moto. Inicialmente, os policiais alegaram que o jovem havia sofrido um acidente.
“Quando eu cheguei lá, eu fui desesperada para cima do corpo. Disseram que não podia me aproximar, que ele tinha sofrido um acidente e quebrado o pescoço. Até então, me conformei e esperei pela perícia. Assim que a perícia chegou, a primeira coisa que fizeram foi virar o corpo e apontar o tiro que ele levou no peito”, relatou a mãe, profundamente abalada.
As imagens da abordagem, mais uma vez, mostram a violência da ação policial, e a mãe mencionou que testemunhas afirmaram que os agentes impediram a aproximação de pessoas após os disparos. “O que eles fizeram foi totalmente desumano. Eles não foram para fazer uma abordagem, vieram para matar”, desabafou.
O irmão da vítima, que é tenente da Polícia Militar, também esteve no local e ouviu dos policiais uma versão diferente, alegando que haviam disparado para o alto. A família questiona como o tiro atingiu o peito do jovem, considerando essa afirmação.
Segundo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), a morte foi causada por ferimentos de projétil de arma de fogo, com lesão no pulmão. Os policiais envolvidos foram levados à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para prestar depoimento, enquanto o caso continua a ser investigado. A sociedade aguarda por respostas e justiça.
