Zona Franca de Manaus como vetor permanente de desenvolvimento
Elizabeth de Souza Levy Vasconcelos, conhecida como Beth Docinho (MDB) e candidata a deputada federal pelo Amazonas, defende que a Zona Franca de Manaus seja consolidada como permanente, sem limite para os incentivos fiscais. Caso eleita, promete apresentar um projeto de lei com essa finalidade. Para ela, esse modelo foi o único que efetivamente promoveu desenvolvimento na região. “Os ambientalistas não permitem que desenvolvamos outras alternativas. Então temos que cuidar do que funciona”, afirma.
Impacto socioeconômico da Zona Franca no interior do Amazonas
A candidata destaca a dependência econômica de municípios do interior do Amazonas em relação aos recursos gerados pela Zona Franca. Ela cita Iranduba, onde reside e atua na piscicultura, como exemplo. “No meu município, a gente vive da Zona Franca. Não há indústrias instaladas, mas a economia gira graças aos repasses do Estado, que vêm dos impostos pagos pelas indústrias da capital”, explica. Beth Docinho observa que essa situação se repete em outras cidades, como Parintins, que mantém seu festival graças a esses recursos. A oposição de ambientalistas, que veem a floresta como um santuário intocado, dificulta outros projetos de desenvolvimento, como a repavimentação da BR-319, rota vital entre Manaus e Porto Velho.
Ela também cita a Potássio do Brasil e as dificuldades enfrentadas para explorar o minério na região do Rio Madeira, abrangendo os municípios de Autazes e Nova Olinda do Norte. Apesar do potencial econômico, o volume de receita gerado ainda é inferior ao da Zona Franca, e enfrenta resistência significativa dos grupos ambientalistas.
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Desafios políticos e visão para o futuro
Beth Docinho aponta que a permanência da Zona Franca enfrenta resistências, especialmente de estados como São Paulo, que se posicionam contra a extensão dos incentivos. Ela afirma que é necessário pensar nas futuras gerações. “Os incentivos estão garantidos até 2073, daqui a 47 anos. Quando expirarem, não estarei mais aqui, talvez nem meus filhos, mas os netos estarão e terão um enorme desafio para evitar que nossa região volte a ser um porto de lenha. Precisamos enfrentar esse desafio agora e garantir a perenidade do nosso modelo”, defende.
Além do aspecto econômico, a candidata ressalta a importância ambiental da Zona Franca. Segundo ela, a manutenção da floresta amazônica praticamente intacta no Amazonas, que preserva 97% da mata, é atribuída ao modelo. Isso pode atrair apoio internacional para a permanência da Zona Franca.
Por fim, Beth Docinho alerta para as ameaças constantes ao modelo e à atuação de grupos contrários aos incentivos. Ela defende que uma emenda constitucional consolidando a Zona Franca eliminaria esses riscos e garantiria a estabilidade para as próximas gerações. “Se perenizarmos na Constituição, eles não terão mais como agir. Garantimos a nossa geração e as próximas”, conclui.
