Desafios e Mobilização do Magistério
Na última terça-feira (24), o Conselho de Representantes do SISMMAC se reuniu com um objetivo claro: fortalecer a luta do magistério em meio ao novo ano letivo. A gestão Pimentel tem adotado uma postura de desvalorização das carreiras dos educadores, evidenciada pela desorganização da rede de ensino e a falta de compromisso com as demandas da classe.
Perante esse cenário, a mobilização é mais do que necessária. O que se percebe é que, embora existam recursos disponíveis, a vontade política para aplicar o que é devido ao magistério parece escassa.
Crescimento Vertical: Falta de Compromisso da Gestão
Um dos pontos críticos discutidos foi o procedimento de Crescimento Vertical, que deveria ser implementado até 2025 e agora é considerado pela Prefeitura como algo de menor importância. Após anos de congelamento da carreira, a gestão municipal mantém critérios que limitam as chances de crescimento profissional para a grande maioria dos educadores.
A publicação de editais sem um cronograma claro de implementação e pagamentos gera incerteza entre os professores. Essa falta de previsibilidade, como destacado pelos representantes do magistério, prejudica aqueles que investiram em sua formação e buscam avançar na carreira.
Além disso, neste ano, o Crescimento Horizontal também está em pauta. Entretanto, sem um compromisso firme da Prefeitura, é provável que se repitam os atrasos e as indefinições já vivenciadas.
Descongelamento de Direitos: Uma Necessidade Urgente
Outro tema relevante abordado foi o Descongela, aprovado pelo governo Lula, que permite a contagem de períodos anteriores para os direitos dos educadores, como anuênios e quinquênios, que foram afetados pelo governo Bolsonaro. Enquanto diversas administrações já estabelecem cronogramas para essa readequação, em Curitiba, a gestão Pimentel ainda não apresentou um direcionamento efetivo. Assim, professores continuam sem acesso a direitos que poderiam melhorar suas aposentadorias.
Desorganização na Educação Municipal
O início da gestão Pimentel na Secretaria Municipal de Educação foi marcado por uma série de instabilidades. Decisões tomadas sem diálogo com os educadores, mudanças curriculares sem respaldo e orientações contraditórias têm gerado desgaste nas escolas. Somado a isso, a recente troca no comando da secretaria, com a nomeação de Paulo Schmidt, não sugere uma mudança de paradigma, mas sim uma continuidade de práticas que já resultaram na redução de profissionais e na fragilização da carreira do magistério.
Militarização: Um Perigo para a Educação
Um ponto alarmante discutido foi o projeto de militarização das escolas municipais. Essa iniciativa não apenas ameaça a gestão democrática, mas também desvia recursos que seriam destinados à valorização do magistério para financiar cargos militares, enquanto a educação enfrenta uma grave escassez de profissionais e investimentos estruturais.
Além de não resolver as questões essenciais das escolas, essa estratégia cria um clima de intimidação que compromete a organização coletiva dos educadores. Muitos consideram este projeto como uma manobra política que visa atrair apoio eleitoral de setores mais extremistas da sociedade.
Ações e Articulações do SISMMAC
Na pauta da reunião, também se abordou o desdobramento do caso CredCesta/Banco Master, onde a intervenção do SISMMAC foi crucial para a suspensão de descontos indevidos. Além disso, foram discutidas alterações no auxílio-transporte e a tentativa da gestão municipal de contornar a Conferência Municipal de Educação, assim como a participação do sindicato no Congresso da CNTE, buscando fortalecer a luta nacional pela educação.
O Que Está em Jogo para 2026
A perspectiva para 2026 aponta para uma intensa disputa de projetos para a educação municipal. De um lado, uma gestão que desconsidera a valorização profissional e improvisa na organização pedagógica; do outro, um magistério que busca direitos, valorização e condições dignas de trabalho.
O SISMMAC já programou visitas e panfletagens nas escolas para dialogar com professores e suas famílias. Uma Assembleia será convocada em março para que o magistério decida coletivamente os próximos passos diante do descaso da gestão. Mobilização e pressão serão cruciais nos próximos meses.
A luta coletiva do magistério é fundamental para garantir um futuro para a educação pública em Curitiba. Sem organização e mobilização, não haverá progresso.
