Implicações da Inação de David Reis
Manaus – O vereador David Reis, presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), se vê envolto em polêmicas após não tomar providências em relação ao vereador Rosinaldo Bual (Agir), que está preso há cinco meses. A detenção de Bual foi resultado de uma operação da Polícia Civil, fruto de investigações conduzidas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), que o acusa de liderar um esquema de rachadinhas. Apesar de sua prisão, Bual continua a aparecer nas sessões da Câmara de forma remota, de acordo com documentos das reuniões, incluindo a última plenária realizada na quarta-feira (4).
A inação do presidente Reis em promover um processo de quebra de decoro parlamentar, conforme o Regimento Interno da Câmara, tem gerado desconforto entre os demais vereadores. Reis argumenta que, como Bual ainda não foi condenado judicialmente, não haveria base para sua exclusão do parlamento. No entanto, essa justificativa não convence a todos.
O vereador Capitão Carpê (PL) enfatizou que a CMM não pode ignorar a situação, citando que o vereador se encontra preso por decisão da Justiça em um caso referente a rachadinhas. “Se isso não for quebra de decoro, eu não sei mais o que é quebra de decoro. O comitê de combate à corrupção já fez um pedido de cassação, e a presidência da Câmara precisa se pronunciar sobre isso. É um pedido formal e deve avançar para o plenário”, afirmou Carpê.
Cautela e Responsabilidade
Da mesma forma, o vereador Capitão Rosses (PL) abordou a situação com a necessidade de cautela nas investigações, que ainda estão sob sigilo. Contudo, ele pediu um posicionamento firme da Câmara e do prefeito David Almeida (Avante), considerando que Rosinaldo Bual faz parte da base do governo. “Precisamos de uma postura mais austera neste momento. A Comissão de Ética, a Presidência da Casa e o prefeito devem se reunir para discutir quais passos serão tomados”, disse Rosses.
Por outro lado, o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) também criticou a postura do presidente da Câmara, denunciando uma possível tentativa de proteger o parlamentar investigado. “Após a representação da sociedade, como já foi feito, quero deixar claro que não vou fazer parte de um pacto de silêncio. Recuso-me a participar de uma ação corporativista que visa a proteção de parlamentares, especialmente após o recebimento da denúncia”, declarou Guedes.
A situação se agrava para David Reis, que, como presidente da CMM, deveria ser um exemplo de responsabilidade e transparência. Enquanto a pressão aumenta sobre sua liderança, a expectativa recai sobre como ele irá lidar com as críticas e quais medidas serão adotadas em relação a Rosinaldo Bual, um caso que desafia a integridade da instituição.
