Identidade Visual e Protagonismo Local
MANAUS (AM) – Recentemente, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) lançou a primeira “Marca Amazônia”, que visa consolidar a presença dos nove estados da região no cenário internacional. Embora a iniciativa tenha como objetivo promover a Amazônia de maneira estratégica, a identidade visual criada gerou críticas entre especialistas, apontando para a falta de envolvimento regional no processo criativo.
A marca surgiu da colaboração entre a Embratur e a Rotas Amazônicas Integradas (RAI), um consórcio que inclui os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O lançamento ocorreu na quinta-feira, 9 de abril, mas já provocou debates acalorados.
Loren Lunière, conselheira de Cultura de Manaus, destacou que a escolha de uma empresa estrangeira para desenvolver a identidade da marca foi uma oportunidade perdida para valorizar o talento local. “Não custava nada a Embratur licitar agências da Amazônia para criar a marca. Isso poderia gerar empregos e renda para as agências daqui. Em vez de entregar a verba para uma empresa de São Paulo, poderíamos ter valorizado nossas próprias vozes e artistas”, comentou.
A professora de Publicidade, Karina Gonçalves, concorda com a reflexão de Lunière, embora reconheça que a participação de três artistas amazônidas nas ilustrações foi um passo positivo. “Embora a criação da marca por uma empresa da Amazônia fosse um grande orgulho, é importante notar que a contratação de artistas locais para as ilustrações representa um reconhecimento da cultura regional”, afirmou.
O Slogan e as Expectativas
A Marca Amazônia é acompanhada pelo slogan “Você muda. A Amazônia muda você”, refletindo uma proposta que vai além do aspecto econômico, que inclui o incentivo a um setor que representa cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) da região. A marca também busca fortalecer ações de proteção contra atividades ilegais, como garimpo e exploração madeireira, e aumentar a presença do Estado por meio do turismo sustentável.
A criação da marca trouxe um desafio significativo: como unificar a diversidade da Amazônia em uma única identidade visual. A Embratur explicou que a solução adotada baseou-se na geografia da região, utilizando o curso dos rios como inspiração. O logotipo foi desenhado a partir de uma pesquisa que analisou extensos trechos do território amazônico, utilizando coordenadas reais para identificar letras em imagens de satélite do rio Amazonas e seus afluentes.
Esse método inovador resulta em um traçado natural que busca não apenas representar a Amazônia, mas também contar sua história e diversidade. A execução do projeto, no entanto, ainda deixa questões no ar sobre a real inclusão dos artistas locais na construção de uma narrativa tão rica e multifacetada.
Reflexões Finais sobre o Protagonismo Regional
As críticas à marca revelam uma preocupação maior: como garantir que a Amazônia seja representada por aqueles que realmente conhecem e vivem a região? A valorização da cultura local vai além de uma mera citação em projetos; trata-se de um compromisso em dar voz aos que fazem parte do cotidiano amazônida.
A criação da Marca Amazônia, apesar das controvérsias, é uma oportunidade valiosa para o turismo e a economia da região. Contudo, a verdadeira força da marca depende do reconhecimento e da valorização dos talentos locais, que são fundamentais para contar a história da Amazônia em toda sua complexidade e beleza. O futuro da marca e seu impacto no turismo regional também fazem parte de uma discussão que ainda está apenas começando.
