Na noite desta sexta-feira (15), o Teatro Amazonas foi palco da estreia da ópera “Salvator Rosa”, uma das obras mais emblemáticas do compositor brasileiro Carlos Gomes. Esta apresentação faz parte da programação da 27ª edição do Festival Amazonas de Ópera, um evento que se consolidou como um evento que promove a música erudita por meio de apresentações acessíveis e envolventes.
O processo de montagem da ópera envolveu semanas de ensaios que mobilizaram músicos, cantores e bailarinos, resultando em apresentações-teste abertas ao público, que lotaram o teatro ao longo da semana. Esse envolvimento da comunidade é um reflexo do esforço do festival em tornar a ópera acessível e apreciada por todos.
A cantora lírica Maria Gerk, que veio do Rio de Janeiro, esteve em Manaus por quase um mês para a montagem. Em uma abordagem pessoal, ela trouxe seu filho de um ano e dez meses para acompanhar a temporada. “Dessa vez eu vim com meu filho. Ele fez um ano e dez meses aqui. Para conseguir fazer esse esquema dele vir junto, ele ainda mama, então precisei montar uma rede de apoio. É uma experiência profundamente gratificante e cheia de significado., esse lugar cheio de história”, compartilhou Gerk, destacando a conexão emocional que sente com o Teatro Amazonas.
Leia também: Festival Amazonas de Ópera 2024: Programação Completa e Imperdível
Leia também: Festival Amazonas de Ópera Inicia Temporada com Clássico de Puccini
A obra e sua narrativa
“Salvator Rosa”, composta em 1874, é considerada uma das principais obras de Carlos Gomes e mistura elementos de ficção com fatos históricos. A trama gira em torno de revoltas políticas, romances proibidos e conflitos familiares, ambientada durante a rebelião napolitana. O maestro e diretor musical do festival, Luiz Fernando Malheiro, enfatizou a profundidade da narrativa da obra: “É a quarta ópera de Carlos Gomes que a gente apresenta no festival. O enredo é muito denso, muito interessante. A música do Carlos Gomes descreve muito bem esse cenário e prende o público”.
O papel principal é interpretado pelo tenor chileno Enrique Bravo, que vive o pintor e poeta italiano Salvator Rosa. Ele comentou sobre a forte ligação que criou com o Amazonas durante sua estada: “Ele lidera uma revolução contra o poder espanhol, mas ao mesmo tempo vive um romance justamente com a filha do duque. Para mim é uma grande honra, porque o Amazonas e o Brasil me adotaram aqui. Tenho o coração muito agradecido por esse trabalho”.
Impacto e acessibilidade
A diretora executiva do festival, Flávia Furtado, ressaltou a importância do evento na desconstrução de preconceitos sobre a ópera. “O festival desmonta vários mitos com relação à ópera e preconceitos de que ópera é elitista ou difícil. As pessoas se conectam com a ópera de uma forma que transcende barreiras, revelando sua beleza e relevância. Ele nem é mais um patrimônio só do Amazonas, é um patrimônio do Brasil”, afirmou Flávia, destacando o papel do festival em aproximar o público da música erudita.
Leia também: 27º Festival Amazonas de Ópera: Uma Celebração da Música em Manaus
Leia também: 27º Festival Amazonas de Ópera: Abertura em Grande Estilo Com Turandot em Manaus
A montagem de “Salvator Rosa” é dividida em quatro atos e traz uma narrativa repleta de paixão, rebelião e dilemas familiares, culminando em um desfecho trágico e emocionante. A experiência foi marcante para muitos espectadores, como a turista Yasmim Rodrigues Pedrosa, que se emocionou ao assistir ao espetáculo: “É incrível. Toca a gente em um lugar muito bonito, porque é muito emocionante. O som que ecoa aqui dentro é lindo”.
O Teatro Amazonas, com sua rica história e arquitetura icônica, continua a ser um espaço vital para a cultura local, e a estreia de “Salvator Rosa” reafirma a relevância do Festival Amazonas de Ópera na promoção da música erudita e na quebra de estigmas associados à ópera.
