Presidente do Amazonas esclarece contexto do vídeo polêmico
A recente publicação do Amazonas nas redes sociais, anunciando a saída do zagueiro Léo Coelho, continua gerando repercussão. Em entrevista exclusiva ao ge, Wesley Couto, presidente da SAF do clube, falou pela primeira vez sobre o vídeo divulgado, que exibe lances em que o defensor aparece envolvido em gols sofridos pela equipe. O dirigente negou que o material tenha sido uma resposta à ação trabalhista movida pelo atleta e afirmou que a escolha das imagens foi “aleatória”.
O vídeo foi publicado em 12 de abril, junto com a nota oficial que comunicava a saída do zagueiro. A divulgação chamou atenção porque ocorreu dois dias após Léo Coelho ingressar com uma ação na Justiça do Trabalho, solicitando a rescisão indireta do contrato e cobrando R$ 8.125.567,16 do Amazonas por supostos atrasos salariais, falta de depósitos do FGTS e outras pendências trabalhistas.
Contexto da ação trabalhista e repercussão do vídeo
Para Wesley Couto, a repercussão do vídeo ignorou o contexto da ação movida pelo jogador contra o clube. “Pra mim não teve polêmica porque o que o atleta expôs o clube e aí acho que muita gente não entendeu o contexto da exposição que o atleta fez com o clube, tentando denegrir a imagem do clube, no qual deu as mãos pra ele aqui. E aí a gente agradeceu ele e colocou alguns lances dele. Não foi proposital, é os lances dele”, destacou o presidente.
Ele avaliou que os lances publicados representam momentos decisivos da temporada e não foram escolhidos para atingir o defensor.
Histórico de Léo Coelho no Amazonas e vídeo polêmico
Léo Coelho deixou o Amazonas após disputar 39 partidas e marcar dois gols com a camisa aurinegra. Na nota de despedida, o clube agradeceu ao atleta pela “dedicação, profissionalismo e entrega dentro e fora de campo” e desejou sucesso na sequência da carreira.
O vídeo que acompanhava a publicação mostrava momentos da final do Campeonato Amazonense contra o Nacional, da Copa Norte diante do Águia de Marabá e das partidas contra Figueirense e Volta Redonda, pela Série C. Em todas essas partidas, o zagueiro participou dos gols sofridos pela equipe.
Ação na Justiça do Trabalho e cobranças do atleta
Dois dias antes da publicação, Léo Coelho protocolou uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a rescisão indireta do contrato e cobrando mais de R$ 8,1 milhões do Amazonas. Na petição, o defensor afirmou que o clube acumula cinco meses de salários atrasados, não realizou depósitos do FGTS desde sua contratação e deixou de cumprir outras obrigações trabalhistas, como pagamentos de direitos de imagem. O jogador também solicitou uma liminar para ficar livre e assinar com outra equipe.
Desafios financeiros do Amazonas e posicionamento do presidente
Além da polêmica envolvendo Léo Coelho, Wesley Couto comentou o momento financeiro enfrentado pelo Amazonas. O presidente reconheceu as dificuldades gerais do futebol brasileiro, mas afirmou que a situação da Onça-pintada reflete a realidade nacional. Ele também rebateu declarações de atletas que acusam o clube de inadimplência, mesmo sem obter decisões favoráveis na Justiça.
“A questão financeira do futebol brasileiro é uma situação difícil. Não é a situação financeira do Amazonas específico. Tem atletas que saem daqui e dizem que a gente tá devendo horrores e na Justiça não ganhou a ação. Mas o Amazonas vai pegar a ação que o atleta perdeu e vai colocar no jornal? Pra nós não interessa isso. Estamos focados em outras questões”, explicou Couto.
O dirigente afirmou que a diretoria não pretende responder às críticas públicas feitas por ex-jogadores, destacando que esse tipo de debate não traz benefícios ao clube. “O que ele vai falar ou deixar de falar, para nós pouco nos importa. Isso não enche o bolso do Amazonas. Isso não traz benefícios para o Amazonas. Então a gente deixa falando sozinho, o que a sociedade quiser pensar, pensa. O que a internet quiser falar, fala. A gente não liga de verdade”, completou.
Ações judiciais de ex-jogadores e situação do clube
Léo Coelho é o atleta que cobra o maior valor entre os processos movidos contra o Amazonas. Além dele, Renan, Fabiano e Gabriel Cipriano também recorreram à Justiça para deixar o clube. Antes deles, Erick Varão e Jorge Jiménez rescindiram seus contratos pelo mesmo caminho.
“Eu vou te dar dois exemplos. O Jorge Jiménez saiu daqui porque eu fiz um acordo pra ele sair, porque ele perdeu na Justiça. O Gabriel Domingos também perdeu na Justiça, tanto é que nós ainda somos detentores de 50% do passe dele. Agora aqueles atletas que a gente não faz questão, porque o rendimento foi muito abaixo, pode botar na Justiça que a gente dá graças a Deus a ida deles”, destacou Wesley Couto.
Desempenho do Amazonas na Série C e próximos desafios
Enquanto o clube administra os problemas fora das quatro linhas, o Amazonas busca reagir dentro de campo. A equipe vem de três derrotas consecutivas na Série C do Campeonato Brasileiro, ocupa a 14ª colocação, com 17 pontos, e está a quatro pontos do G-8.
O próximo compromisso da Onça-pintada será no domingo, às 19h30 (horário de Brasília), diante do Paysandu, no estádio Carlos Zamith, em Manaus.
