Queda Significativa no Desmatamento
O desmatamento na Amazônia, em especial no estado do Amazonas, apresentou uma queda expressiva de 30,1% no primeiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior. As informações foram divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que realiza o monitoramento da área por meio do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Durante os primeiros três meses do ano, foram desmatados 3.190 hectares, enquanto em 2025 esse número foi de 4.567 hectares.
Apesar da diminuição na área desmatada, um ponto que chama a atenção é o aumento de 12,4% no número de alertas, que passou de 141 para 159 registros. Esse crescimento pode estar ligado à intensificação das ações de monitoramento em regiões que estão sob uma pressão maior, conforme apontam especialistas.
A Importância da Fiscalização
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O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço, comentou sobre o resultado positivo e destacou que a redução é reflexo de uma atuação mais precisa nas atividades de fiscalização. “O que observamos neste período é resultado de estratégias que nos permitem responder de forma mais eficaz a situações de desmatamento”, afirmou Picanço.
O Ipaam, junto à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas, vem acompanhando os dados de perto, e a continuidade do monitoramento é vital, especialmente nos períodos de maior vulnerabilidade, para garantir que essa tendência de queda seja mantida.
Eduardo Taveira, secretário de Meio Ambiente, atribuiu essa redução a uma abordagem integrada do governo, que combina fiscalização rigorosa com incentivos a práticas sustentáveis. “Essa política une o combate ao desmatamento com o estímulo à bioeconomia, promovendo o investimento em um futuro sustentável”, explicou Taveira.
Iniciativas de Proteção Ambiental
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Uma das iniciativas citadas por Taveira é o Programa Floresta em Pé, que destina mais de R$ 70 milhões para ações de fiscalização, proteção ambiental e também para a promoção de atividades que gerem renda sustentável às comunidades locais.
Entre os municípios que mais contribuíram para o desmatamento no primeiro trimestre de 2026, Novo Aripuanã lidera com 338 hectares desmatados, seguido por Lábrea, que teve 315 hectares, e Humaitá, com 288 hectares. No que diz respeito aos alertas, Lábrea também apresentou o maior número, com 11 registros, seguidos por Boca do Acre, com 10, e Guajará, com 7.
Comparativo com 2025
No mesmo período do ano passado, Apuí foi o município que concentrou os maiores índices, com 1.222 hectares desmatados e 20 alertas. Importante lembrar que o calendário de desmatamento na Amazônia se estende de agosto a julho, e, nesse contexto, o Amazonas também apresentou uma queda acumulada significativa. Entre agosto de 2025 e março de 2026, a área desmatada caiu 35,5%, passando de 30.057 hectares para 19.366 hectares.
Ação Integrada de Fiscalização
A redução dos índices de desmatamento coincide com o fortalecimento das ações de fiscalização ambiental no estado, que são realizadas de forma integrada por diferentes órgãos públicos e também pelas forças de segurança. Uma das operações destacadas é a Operação Tamoiotatá 6, que envolve monitoramento e inteligência, além de ações práticas em campo, como vistorias em áreas com alertas e aplicação de multas.
A operação é realizada em 15 etapas ao longo do ano, com um foco especial no período de estiagem, que é considerado crítico para o aumento do desmatamento e das queimadas. Outra iniciativa é a Operação Região Metropolitana, que é coordenada pelo Ipaam em colaboração com a Polícia Militar do Amazonas, e busca inibir crimes ambientais nas rodovias e ramais da Região Metropolitana de Manaus, ampliando a presença do Estado nas áreas mais afetadas.
