Abertura de Novos Mercados Rodoviários
A empresa Expresso Manaus, sob a gestão da J & A Transportes e turismo, recebeu autorização para operar 35 novos mercados rodoviários pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). As liberações abrangem trajetos nos estados de Rondônia, Amazonas e Roraima, como as linhas entre Candeias do Jamari (RO) e Cantá (RR), e entre Porto Velho (RO) e Caracaraí (RR), entre outros.
Essa é a primeira vez que a Expresso Manaus irá operar linhas regulares interestaduais, um passo significativo para a marca. O Diário do Transporte está acompanhando de perto as novidades relacionadas a esse processo.
Na segunda-feira, dia 04 de maio de 2026, a reportagem irá apresentar um panorama profundo sobre um grupo empresarial relevante do setor, que revela uma estratégia de crescimento no mercado. Não perca!
Expectativas e Desafios do Setor
A ANTT aposta que essa abertura de mercados ampliará a competitividade no setor de transportes interestaduais. Contudo, especialistas consultados alertam que a realidade pode ser bem diferente. Muitos novos serviços podem não se concretizar, pois diversas empresas não atendem a todas as exigências legais e alguns mercados são considerados isolados, o que compromete sua viabilidade econômica e técnica.
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De um total de 47.291 mercados aprovados, 38.379 são considerados “mercados desatendidos”, ou seja, aqueles que não eram atendidos anteriormente. Outros 8.912 são operados apenas por uma única empresa, classificados como “mercados monopolistas”. Para completar, 5.459 mercados (11,5% do total) passarão por um processo seletivo público.
As janelas de autorização representam uma oportunidade crucial para as empresas, permitindo que solicitem permissões para operar em áreas que carecem de atendimento adequado ou onde há apenas uma companhia atuando.
Concorrência entre Empresas Tradicionais e Novas Entrantes
Entre as empresas que se destacaram, a Flixbus, que já atua no Brasil desde 2021, conquistou 1.158 mercados que não tinham oferta de transporte. A empresa, que começou suas operações na Europa em 2011, se tornou uma gigante da mobilidade, possuindo até sua própria frota de ônibus.
Por outro lado, a Buser, uma plataforma criada em 2017, obteve 27 autorizações, sendo 26 para mercados desatendidos e uma para competir onde já existe uma empresa atuando. Vale destacar que as liberações foram concedidas a duas companhias de linhas regulares que a Buser adquiriu: Transportes Santa Maria e Expresso JK, ambas já atuantes no setor de transporte rodoviário.
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Analises e Perspectivas Futuras
Em relatório publicado em 28 de abril de 2026, o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, destacou que a Buser vai operar esses 27 novos mercados. Entre eles estão ligações significativas, como Barbacena (MG) x Santo André (SP) e Morrinhos (MG) x Belo Horizonte (MG).
O modelo de negócios de empresas como a Flixbus e a Buser apresenta abordagens distintas. Enquanto a primeira opera diretamente com sua marca, a Buser conquistou mercados através da aquisição de viações estabelecidas, levantando questões sobre a legalidade de seu modelo de fretamento colaborativo, que ainda está sob debate jurídico no Brasil.
Reações do Setor e Considerações Legais
A participação de empresas como Buser e Flixbus na primeira janela da ANTT provocou reações cautelosas da Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia). A associação não vê garantias de que os benefícios prometidos ao setor e aos passageiros se concretizarão e reconhece que muitos mercados poderão não se viabilizar.
Especialistas notaram que, apesar dos avanços, é preciso abordar os riscos jurídicos e operacionais envolvidos. Há uma preocupação de que muitos mercados concedidos não sejam operados efetivamente, especialmente aqueles que não apresentam viabilidade econômica. O advogado Ilo Löbel da Luz alertou que a nova regulamentação pode trazer dificuldades para empresas que estão começando a operar no setor.
A avaliação da viabilidade econômica e o risco jurídico são pontos essenciais que cada nova operação deve considerar. Como observou a advogada Liana Variani, a análise deve ser abrangente, levando em conta as características específicas de cada empresa e seu contexto operacional.
Em resumo, o cenário rodoviário está passando por transformações com a abertura de novos mercados pela ANTT, mas a efetividade dessas mudanças dependerá da capacidade das empresas de se adaptarem aos novos desafios que surgem no setor.
