Escassez de Terrenos Industriais na Zona Franca de Manaus
A Zona Franca de Manaus enfrenta um desafio crescente: a falta de terrenos industriais disponíveis para a instalação de novas fábricas. Essa questão, que já vinha sendo discutida nos bastidores, ganhou destaque como prioridade pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (suframa). O principal receio é que a escassez de espaços físicos regularizados comprometa o crescimento e a competitividade do polo industrial local.
Contexto da Manutenção dos Incentivos Fiscais e Impactos
O gargalo ocorre pouco depois do Congresso Nacional assegurar, na reforma tributária, a manutenção dos benefícios fiscais para a Zona Franca até 2073. Esses incentivos incluem redução ou isenção de impostos federais e estaduais, concedidos a empresas que comprovem instalação fabril em Manaus, geração de empregos e cumprimento de metas mínimas de produção local estabelecidas pelo governo.
O objetivo desses benefícios é compensar as dificuldades logísticas da região amazônica e estimular o desenvolvimento econômico local. Em julho, a Justiça do Distrito Federal extinguiu uma ação civil pública da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que buscava suspender essas vantagens fiscais previstas na reforma tributária para a Zona Franca.
Falta de Espaço Regularizado e Seus Reflexos no Polo Industrial
Atualmente, cerca de 600 indústrias operam na Zona Franca de Manaus, empregando diretamente aproximadamente 131 mil trabalhadores. No entanto, a expansão dessas operações esbarra na limitação física, especialmente nos chamados “distritos industriais” — áreas com infraestrutura pronta para receber novas fábricas.
Em reunião com o então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, vice-presidente Geraldo Alckmin, Jorge Nascimento Júnior, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), destacou que a falta de terrenos está inibindo investimentos na região.
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“As empresas estão desistindo de se instalar em Manaus por causa da escassez de terrenos”, afirmou Nascimento Júnior, conforme ata da reunião obtida pela Folha de S.Paulo. Ele ressaltou a necessidade urgente de ampliar as áreas aptas a receber projetos industriais para que a segurança jurídica não seja prejudicada pela ausência de espaço físico.
Desafios na Distribuição e Regularização dos Terrenos
Segundo a Suframa, parte do problema reside na lentidão do processo atual de distribuição de terrenos, que depende de licitações realizadas bienalmente. A última ocorreu em 2025, e a próxima está prevista apenas para 2027, o que deixa uma lacuna significativa para empresas interessadas.
O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, reconheceu que invasões e ocupações irregulares nos Distritos Industriais 1, 2 e 3 complicam ainda mais a situação. Ele alertou que, sem um procedimento mais ágil para cessão de lotes, a maior parte das áreas disponíveis pode ser perdida, especialmente nos distritos 2 e 3.
Montenegro também comentou que esse cenário tende a piorar em ano eleitoral, e que propostas para substituir o modelo atual por editais de chamamento público — que acelerariam o processo — ainda não foram implementadas.
Reação do Setor Produtivo e Perspectivas para o Futuro
Por meio de nota, Jorge Nascimento, da Eletros, minimizou a queixa, colocando-a no contexto de um alerta sobre riscos potenciais relacionados à questão fundiária. Ele destacou que a entidade acompanha iniciativas para ampliar e preparar novas áreas industriais, percebendo avanços no tratamento do tema e esforços coordenados para manter a atratividade da Zona Franca de Manaus.
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Procurada pela reportagem, a Suframa não retornou aos questionamentos enviados em junho e julho. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ao qual o órgão está vinculado, também não respondeu aos contatos.
Infraestrutura e Limitações para Novas Instalações
Embora a Zona Franca detenha uma vasta área territorial, o entrave não é a falta de espaço físico, mas sim de terrenos urbanizados e regularizados para instalação das indústrias. Os distritos industriais oferecem infraestrutura essencial como energia, abastecimento de água, acessos viários e serviços públicos, mas a abertura de novas áreas depende de processos complexos de licenciamento, regularização fundiária e investimentos públicos, o que torna a expansão mais lenta do que o ritmo dos novos projetos.
O Distrito Industrial 1, o mais antigo, está praticamente ocupado, enquanto os Distritos 2 e 3 ainda possuem áreas disponíveis, porém enfrentam problemas com ocupações irregulares.
Resultados Econômicos e Investimentos Recentes
O polo industrial de Manaus encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 227,6 bilhões, representando crescimento de 11% em relação ao ano anterior, além de atingir o recorde histórico de mais de 131 mil empregos diretos.
Em março deste ano, foram aprovados 83 projetos industriais e de serviços que somam R$ 1,17 bilhão em investimentos, com potencial para gerar cerca de 2.880 empregos. A Suframa atribui esse movimento à segurança proporcionada pela reforma tributária, destacando a importância de garantir condições para a continuidade do desenvolvimento industrial da região.
