Um Marco de Esperança para o Ubim
Os habitantes de Eirunepé, uma cidade situada no sudoeste do Amazonas, conhecem bem a força das águas do rio Juruá. Aqui, o tempo não é apenas marcado por horas, mas pela passagem das cheias e das vazantes. Neste contexto, uma notícia publicada pela Folha de S.Paulo no último sábado, dia 18, trouxe um alívio e esperança para muitos. A matéria da jornalista Cláudia Collucci destacou a inauguração do primeiro posto de saúde na comunidade do Ubim, dentro da reserva extrativista do rio Gregório.
Enquanto o mundo celebrava avanços no espaço, os moradores de Eirunepé vivenciavam uma conquista que muitos consideram tão significativa quanto as missões espaciais: o acesso à saúde. Uma realidade que, para os habitantes do Ubim e de outras comunidades ao redor, sempre foi uma luta constante, marcada pela dificuldade de acesso aos serviços básicos de saúde.
Desafios do Acesso à Saúde
A jornalista Cláudia Collucci descreveu com precisão a dura realidade enfrentada por essas comunidades, que muitas vezes precisam viajar até 13 horas por lancha para alcançar os serviços de saúde em Manaus. Para muitos, o Sistema Único de Saúde (SUS) é apenas uma fila em um posto local, enquanto os moradores do Ubim enfrentavam distâncias perigosas e insalubres. Antes da construção do posto, o acesso à saúde era uma questão de sorte. Histórias de tragédias pessoais, como amputações e mortes evitáveis devido à falta de acesso a antídotos, são lembranças dolorosas que permanecem na memória coletiva do povo da região.
Como destacou o agricultor Dionilson Lima em entrevista à Folha, as soluções muitas vezes se resumiam a “passar as coisas da mata” e esperar pelo resultado de uma simples oração. As dificuldades enfrentadas no dia a dia criaram um cenário onde a vida e a morte podiam depender apenas da sorte.
Inovação e Sustentabilidade na Saúde
O projeto que possibilitou a construção do posto de saúde é uma iniciativa chamada SUS na Floresta, resultado de uma parceria entre a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e a prefeitura de Eirunepé, com o apoio do BNDES e outros colaboradores. Este modelo de atendimento não se limita ao atendimento presencial, mas também integra soluções tecnológicas, como a telemedicina, conectando os ribeirinhos a médicos especialistas através da tecnologia Starlink.
Este projeto representa um exemplo de justiça climática, como descreveu Virgílio Viana, superintendente da FAS. A ideia é oferecer dignidade às comunidades que não são responsáveis pela poluição, mas que sofrem com extremos climáticos, como secas e cheias que ameaçam suas vidas e meios de subsistência. Essa combinação de inovação e respeito à cultura local é fundamental para um desenvolvimento sustentável na região.
A Necessidade de uma Política de Estado
A matéria da Folha de S.Paulo traz um alerta importante sobre a continuidade desse projeto. Embora o posto de saúde esteja em funcionamento, como ressaltaram tanto a prefeita Áurea Maria quanto Mickela Costa, da FAS, a saúde na floresta precisa ser uma política de Estado. Não pode ser uma bandeira de governo que desaparece com a troca de administração. Para garantir que os avanços não sejam temporários, é crucial que os investimentos em saúde sejam contínuos e sustentáveis.
O exemplo de seu Eupídio, que perdeu o pai devido à demora no transporte para atendimento de emergência, serve como um lembrete da importância de se consolidar esses avanços. Com a nova estrutura, espera-se que muitos outros possam receber o atendimento necessário e evitar tragédias que poderiam ser facilmente solucionadas.
