O DNA Espanhol Que Transforma o Futebol
A seleção espanhola não chegou ao topo por acaso. Desde a base, com jovens de cinco anos ingressando em La Masia, a formação é orientada por um projeto educacional e prático que une técnica, tática e mentalidade vencedora. Esse DNA, fortemente influenciado pelo estilo barcelonista, vem sendo aplicado pela seleção desde 2008 e foi decisivo para o desempenho nas fases finais da Copa contra França e Argentina.
A Espanha se destaca pela organização, qualidade técnica e valorização da posse de bola, mantendo um sistema de jogo claro e definido. Essa identidade é tão forte que ultrapassa o futebol masculino e também domina o feminino, onde a seleção chega como campeã e favorita para a Copa do Mundo no Brasil no próximo ano.
Repaginação e Evolução Tática
Apesar de já ter enfrentado momentos de estagnação, especialmente após o bicampeonato europeu em 2012, quando o tiki-taka envelheceu e perdeu frescor, a Espanha soube se reinventar. Jogadores como Lamine Yamal, Dani Olmo e Rodri trouxeram um estilo de jogo mais vertical e dinâmico, com dribles e transições que renovaram o time.
Essa evolução foi visível na Eurocopa e se confirmou na Copa de 2026, mesmo após o susto do empate sem gols contra Cabo Verde. A seleção espanhola incorporou características modernas sem abandonar sua essência de posse e controle de jogo.
Meio-Campo: A Base do Controle
O Brasil enfrenta dificuldades na formação de meio-campistas dominantes, sejam volantes, armadores ou meias criativos. Enquanto isso, Espanha e Argentina mantêm linhas de produção consistentes para jogadores que ditam o ritmo das partidas. A geração espanhola atual pode não ter o brilho dos tempos de Busquets, Xavi e Iniesta, mas o estilo de trabalho garante meio-campistas de alto nível.
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Fonte: soudebh.com.br
Na última Copa, o técnico Ancelotti percebeu que o Brasil ficou mais equilibrado com três jogadores no meio, mas os nomes disponíveis ainda não atingem o topo da categoria. A formação de meio-campistas é um desafio que o futebol brasileiro precisa superar para voltar a controlar os jogos como a Espanha.
Defesa Sólida e Posse de Bola
“Defesa ganha campeonatos” é um clichê que a Espanha levou a sério ao conquistar o bicampeonato mundial. Em oito jogos, sofreu apenas um gol, sem apelar para retrancas. A posse de bola foi dominante, com 60% na final contra a Argentina, que teve apenas 32%, número inferior ao do Brasil na eliminação para a Noruega.
No Brasil, há zagueiros de destaque na Europa, como Marquinhos, capitão do PSG, e Gabriel Magalhães, titular do Arsenal campeão da Premier League. Mesmo assim, a seleção brasileira não conseguiu se firmar defensivamente. A chave da Espanha está no coletivo e no controle da bola para evitar riscos defensivos.
O Técnico Ideal Está Próximo
Enquanto a CBF renovou o contrato de Ancelotti até 2030, o exemplo espanhol mostra que o sucesso pode vir de treinadores internos, que compreendem o DNA da seleção desde a base. Luís De La Fuente, que comandou a Espanha desde 2012 nas categorias de base e assumiu a seleção principal após a derrota na final olímpica de Tóquio 2021, conduziu o time ao título mundial.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
No Brasil, essa trajetória é rara. A formação de treinadores locais enfrenta dificuldades, e o mercado é dominado por estrangeiros. André Jardine, campeão olímpico que venceu De La Fuente em Tóquio, não recebeu oportunidades similares na CBF, que tem recorrido a técnicos interinos ou estrangeiros para a seleção principal.
Perspectivas e Desafios para o Brasil
O trabalho de Ancelotti tem apoio interno, recebendo um contrato longo e salário elevado. No entanto, o Brasil ainda precisa evoluir na formação de jogadores e técnicos para competir no mesmo nível da Espanha. A próxima busca por treinador, caso o contrato atual seja cumprido, só ocorrerá em 2030, o que exige resultados consistentes até lá.
Enquanto isso, o futebol brasileiro pode aprender com a Espanha que o sucesso se constrói com paciência, foco na base e uma identidade clara de jogo, que vai muito além de resultados pontuais e envolve toda a cadeia formativa e técnica.
Tabela e Calendário
A Espanha segue consolidada como potência mundial, enquanto o Brasil precisa alinhar seus processos para voltar a disputar títulos com consistência. Acompanhar os próximos jogos e competições será fundamental para avaliar se o país consegue absorver essas lições e transformar seu estilo de jogo e gestão.
