Turismo comunitário na Amazônia movimenta a economia local
Na comunidade de Tumbira, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, no Amazonas, o turismo comunitário já envolve até 75% dos moradores, considerando atividades diretas e indiretas relacionadas à visitação. Essa constatação faz parte de uma pesquisa de 2025 que destaca o papel do turismo como alternativa viável para gerar renda e conservar a floresta amazônica.
O turismo em Tumbira não se resume a guiar visitantes. Ele abrange transporte fluvial, agricultura, alimentação, artesanato, hospedagem e a transmissão de saberes tradicionais. Sob o comando dos próprios moradores, a floresta deixa de ser apenas um cenário natural e se torna o alicerce de uma economia que valoriza e protege o território.
Experiências autênticas integradas à cultura local
O turismo de base comunitária (TBC) foca em proporcionar vivências alinhadas aos modos de vida dos habitantes da região. Um jovem local pode ser o guia, a alimentação inclui produtos cultivados na comunidade, e os roteiros contemplam tradições, observação da natureza e travessias fluviais.
O estudo publicado em 2025 na revista científica Delos aponta que 55% dos moradores de Tumbira participam diretamente do turismo, enquanto a influência indireta alcança 75% da população. Esse alcance demonstra que o impacto da atividade turística vai além do número de visitantes, distribuindo renda entre famílias e fortalecendo práticas locais sem necessidade de desmatamento para expansão.
Roteiros que unem produção, cultura e conservação
Exemplos de turismo comunitário se espalham pela Amazônia. Em Mato Grosso, a Rota Agroecológica Guadalupe, coordenada pela Raizeira Ecoturismo, combina agricultura familiar orgânica com turismo de observação de aves em uma reserva particular. Em Roraima, a Roraima Adventures promove expedições na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, integrando manejo territorial e cultura indígena.
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No Pará, a Amazônia Aventura conecta o Parque Estadual do Utinga às comunidades ribeirinhas de Belém, enquanto no Amazonas, a Juju Tour oferece experiências culturais em Novo Airão. No Acre, a Vivalá realiza imersões junto ao povo indígena Shanenawa, destacando a participação local e vivências culturais.
Comunidades no centro das decisões e benefícios
O sucesso do turismo comunitário depende da autonomia dos moradores para definir o que será visitado, o número de visitantes, quais conhecimentos serão compartilhados e como os recursos serão distribuídos. Essa estrutura fortalece a relação entre turismo e conservação, transformando rios, trilhas, roças e manifestações culturais em ativos econômicos protegidos.
Luiz Del Vigna, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), ressalta que a descentralização do turismo é fundamental para ampliar oportunidades no interior da Amazônia. “Levar o fluxo turístico para todos os estados e comunidades permite que o visitante conheça a diversidade socioambiental e gera renda para diferentes regiões”, afirma.
Desafios para ampliar o turismo comunitário na Amazônia
A regulação do setor avança com diretrizes firmadas por Funai e ICMBio em 2025 para visitação em áreas indígenas e de conservação, reforçando o protagonismo dos povos originários. O Plano Nacional de Turismo 2024-2027 e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Produtos, previsto para 2026, também valorizam o turismo de base comunitária, com foco em infraestrutura e adaptação climática.
Apesar disso, o crescimento dos roteiros depende de acesso a crédito, formação técnica, internet e transporte adequados às condições amazônicas. Sem esses recursos, comunidades com potencial para oferecer experiências culturais enfrentam dificuldades para alcançar mercados e manter fluxo constante de visitantes.
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Impacto nos nove estados amazônicos e perspectivas futuras
O turismo comunitário alcança Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, regiões com diferentes realidades ambientais e culturais. A descentralização pode beneficiar áreas fora dos circuitos tradicionais, desde que respeite as regras locais e envolva a participação da comunidade.
Para o visitante, essa abordagem oferece uma experiência mais profunda e conectada à comunidade. Para os moradores, representa geração de emprego e renda sem abandonar atividades tradicionais. O desafio é garantir compromisso comercial duradouro para manter renda, autonomia e conservação ao longo do tempo.
As iniciativas destacadas pela Abeta foram apresentadas no contexto do Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro de 2026. O próximo passo é transformar o interesse crescente em políticas públicas, infraestrutura e contratos que sustentem o turismo comunitário na região.
Principais experiências de turismo comunitário na Amazônia
Raizeira Ecoturismo (Mato Grosso) com a Rota Agroecológica Guadalupe; Juju Tour (Amazonas) em Novo Airão; Roraima Adventures (Roraima) na Raposa Serra do Sol; Amazônia Aventura (Pará) com roteiros em Belém; e Vivalá (Acre) com imersões culturais no povo Shanenawa.
