Nova data para conclusão da perfuração do poço Morpho
A Petrobras anunciou um novo adiamento na conclusão da perfuração do poço de petróleo na costa amazônica, uma etapa crucial para avaliar a existência de óleo em escala comercial. Conforme documento encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a data mais próxima para o término dos trabalhos está prevista para o fim de agosto.
O ofício, elaborado na última terça-feira (28), reforça o compromisso da Petrobras em manter o Ibama atualizado sobre o andamento da perfuração, que ocorre no bloco 59, localizado na altura de Oiapoque (AP), a cerca de 160 km mar adentro. Este bloco faz parte da bacia da Foz do Amazonas, uma região ambientalmente sensível e que ainda não passou por exploração petrolífera.
Desafios técnicos e ambientais na nova fronteira petrolífera
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a perfuração é conduzida com cautela devido às características pioneiras do poço. “Estamos indo com muito cuidado”, declarou à Folha de S.Paulo, ressaltando os desafios impostos pelas fortes correntes marítimas da região, que já foram apontadas pela área técnica do Ibama como fatores de risco durante o processo de licenciamento ambiental.
Leia também: Auditorias da ANP na Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas Após Vazamento
Leia também: MPF Requer Urgência ao Ibama e Petrobras Sobre Vazamento na Foz do Amazonas
Em janeiro, um acidente causou a paralisação temporária da operação após vazamento de fluido, o que resultou em multa de R$ 2,5 milhões aplicada pela autarquia ambiental. As atividades foram retomadas em fevereiro, mas a complexidade do local permanece, especialmente pela profundidade de cerca de dois mil metros entre a plataforma e o fundo do mar, que expõe a tubulação às correntes marítimas intensas.
Impactos sociais e ambientais na região de Oiapoque
A área do empreendimento é marcada por alta sensibilidade ambiental, com extensas áreas de manguezais e rica biodiversidade, além de territórios tradicionais onde vivem cerca de 12 mil indígenas de quatro etnias. Essas comunidades dependem diretamente do equilíbrio ambiental para suas atividades de pesca, caça e agricultura de subsistência, todas influenciadas pelo ciclo das marés.
O processo de licenciamento ambiental enfrentou intensa pressão política, especialmente do presidente Lula (PT) e de representantes do Amapá, para autorizar a exploração no bloco 59. Mesmo antes da confirmação da existência de petróleo, a região já sofre efeitos sociais, como a migração acelerada e invasões nas franjas urbanas de Oiapoque, conforme reportagem da Folha publicada no dia 12.
Leia também: MPF Cobra Respostas da Petrobras e Ibama Sobre Vazamento na Foz do Amazonas
Leia também: MMA Intensifica Critérios Técnicos na Licença de Perfuração da Foz do Amazonas
Monitoramento e medidas de proteção ambiental
Em resposta às exigências do Ibama, a Petrobras informou que mantém embarcações em prontidão para monitoramento costeiro na parte norte do Parque Nacional do Cabo Orange. Esta unidade de conservação, localizada no extremo do Amapá, apresenta um ecossistema sensível, com 59 km de litoral que funcionam como berçário para diversas espécies de peixes, além de uma área significativa de manguezais e florestas.
O Ibama solicitou o reforço do plano de proteção à fauna com a disponibilização de uma embarcação nearshore, mais próxima da costa, para atuar em eventuais acidentes ou vazamentos. No entanto, a Petrobras estimou que a chegada dessa embarcação ocorrerá em cerca de 150 dias, prazo que ultrapassa o previsto para a conclusão do poço Morpho.
A perfuração do bloco 59 teve início em outubro de 2025, após concessão da licença ambiental, mas já acumula atrasos e desafios técnicos. A continuidade da operação é acompanhada de perto devido à relevância ambiental e social da região, que demanda cuidados especiais para evitar impactos negativos.
