Guardião, a onça-pintada que celebra 25 anos em cativeiro
Guardião, a onça-pintada reconhecida oficialmente como o felino mais velho em cativeiro no Brasil, completou 25 anos no último domingo (31). Para marcar essa data histórica, o Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), localizado em manaus, organizou uma comemoração especial, incluindo uma festa e um “bolo de carne” elaborado especialmente para o animal.
Nascido em março de 2001, na cidade de Tabatinga, interior do Amazonas, Guardião chegou ao CIGS em 2007, onde passou a ser símbolo de resistência e adaptação ao longo dos anos.
Comemoração adaptada para a “terceira idade” do felino
O vídeo divulgado pelo g1 mostra o momento em que Guardião saboreia seu bolo de aniversário. Sentado calmamente ao lado de uma estrutura de madeira em seu recinto, ele consome os pedaços de carne preparados cuidadosamente para a ocasião. Para celebrar seus 25 anos, a equipe do CIGS criou um enriquecimento ambiental temático e ofereceu seu alimento preferido de forma que respeitasse suas limitações impostas pela idade.
A médica veterinária do zoológico, tenente Luciene Siqueira, destacou a importância do momento: “Hoje ele é o nosso animal mais paparicado do Cigs. Para a gente, é uma grande honra participar desse momento tão importante para o Guardião e para toda a equipe técnica”.
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Apesar de apresentar menor atividade se comparado às onças mais jovens do local, Guardião ainda demonstra vigor e disposição. “Observamos que ele nada com facilidade e gosta de escalar árvores. Apesar da idade avançada, ele mantém suas características e sua essência selvagem”, explicou a tenente Siqueira.
Cuidados especiais para garantir a saúde do felino centenário
O bolo preparado para Guardião foi cuidadosamente adaptado, levando em consideração os desgastes naturais da idade, como a perda de algumas presas. A equipe veterinária elaborou uma refeição composta por carnes leves e de fácil digestão, cortadas e organizadas dentro de uma vasilha verde decorada para a ocasião.
Especialistas informam que, em média, onças-pintadas vivem até 13 anos na natureza e cerca de 20 anos em cativeiro. A longevidade de Guardião é, portanto, um caso excepcional. Para que ele continue saudável, sua rotina inclui suplementação diária com condroitina para proteger as articulações e check-ups trimestrais com exames completos de sangue, raio X e ultrassonografia.
Devido à idade avançada, a equipe evita sedar o animal. As avaliações são realizadas à distância e estimulam o movimento e cognição por meio de trilhas de cheiro com canela e variações no local da alimentação.
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Vivendo sozinho, mas ativo e com rotina estruturada
Desde 2021, Guardião vive sozinho após a morte de sua companheira, a onça Amazonas. Mesmo com idade que equivale a quase 100 anos em termos humanos, ele mantém uma rotina ativa, tomando sol diariamente, fazendo até quatro refeições e explorando as trilhas do recinto.
Apesar da idade avançada, Guardião não demonstra sinais de isolamento por cansaço. A tenente Siqueira reforça que ele ainda mantém sua essência selvagem e energia, nadando com facilidade e escalando árvores dentro do zoológico.
O CIGS e sua população de onças-pintadas
O Zoológico do CIGS abriga atualmente 14 onças-pintadas, sendo 11 delas de pelagem tradicional. A mais jovem é Baniwa, resgatada no bairro Tarumã após ter sido mantida em cárcere e anunciada por R$ 20 mil em um site de vendas.
O local também cuida de dois irmãos resgatados em Tefé, que ganharam notoriedade ao serem filmados brincando na água. Segundo a bióloga responsável, os machos costumam apresentar maior afinidade com a água do que as fêmeas. O lago artificial do zoológico é mantido com auxílio da planta aquática salvinia, que funciona como filtro natural, garantindo a qualidade da água para os animais.
