Moradores sem orientações sobre emergências químicas em Manaus
Uma moradora que reside a cerca de um quilômetro da Unidade 4 da Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus, denunciou a falta de informações para a população local sobre como proceder em situações de acidentes com produtos químicos. O vazamento de monômero de estireno, registrado na última quarta-feira (15), evidenciou essa ausência de orientações para os moradores da região.
O incidente aconteceu às 17h36, quando houve uma elevação anormal da temperatura do monômero armazenado em um dos tanques da unidade. Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) trabalham para resfriar o tanque e evitar novos riscos. Até domingo (19), as operações de controle ainda estavam em andamento.
Sintomas relatados e falta de preparo da comunidade
Rosivete Ferreira, doméstica de 63 anos e moradora próxima à fábrica, só tomou conhecimento do risco após o vazamento. Ela relatou sintomas como náusea, dor de cabeça, irritação nos olhos, sensação de aperto na garganta e falta de ar, que apareceram horas depois do ocorrido. Para tentar se proteger, manteve portas e janelas fechadas por boa parte do dia.
“Eu nem sabia que isso podia acontecer”, afirmou Rosivete quando questionada sobre a existência de qualquer orientação prévia sobre emergências químicas. Ela também descreveu a sensação desconfortável causada pela exposição: “Meu olho parecia cheio de pimenta, ardia muito. Mesmo com as janelas fechadas, ainda sentia o cheiro dentro de casa.” Somente após ligar os aparelhos de ar-condicionado, os sintomas começaram a diminuir, mas persistiram até o fim da noite.
Reação das autoridades e empresas após o vazamento
O g1 procurou a Innova para esclarecer quais medidas de comunicação e segurança foram adotadas antes e depois do vazamento. A reportagem questionou também se o Plano de Atendimento a Emergências (PAE) da empresa inclui protocolos específicos para alertar e orientar os moradores do entorno. Até a última atualização do texto, a empresa não havia respondido.
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Além disso, o Governo do Amazonas foi consultado para identificar quais órgãos estaduais são responsáveis pela fiscalização e acompanhamento das medidas preventivas e informativas destinadas às comunidades próximas a indústrias químicas. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) também foi interpelada sobre seu papel na cobrança dessas ações junto às empresas do Polo Industrial. Ambos os órgãos ainda não se pronunciaram.
Outros relatos de moradores e trabalhadores afetados
Além de Rosivete, outros habitantes e funcionários de empresas vizinhas relataram sintomas após o vazamento. Luiz Ferreira, ajudante de caminhão que trabalha próximo à Innova, contou que colegas passaram mal durante o expediente, mas as atividades não foram suspensas.
“O pessoal começou a correr para o banheiro. Quando cheguei em casa também tive dor de cabeça e diarreia”, afirmou Luiz.
Perigos do monômero de estireno e explicações técnicas
Os sintomas apresentados por moradores e trabalhadores são compatíveis com os efeitos da exposição ao monômero de estireno, conforme explica a chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. Segundo a especialista, a substância é tóxica e, quando inalada, provoca irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dores de cabeça, tontura e náuseas.
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Karime também destacou que o estireno é armazenado como líquido, mas evapora rapidamente, transformando-se em gás e podendo se dispersar por grandes áreas. Segundo a pesquisadora, em concentrações elevadas, a substância pode reagir com a chuva e gerar compostos nocivos, aumentando o risco de contaminação ambiental.
Detalhes do vazamento e medidas de emergência
O vazamento na Unidade IV da Innova gerou um forte odor perceptível em bairros próximos ao Distrito Industrial. A situação foi grave o suficiente para provocar a evacuação imediata de um shopping nas proximidades da fábrica.
O monômero de estireno é utilizado na produção de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). A exposição ao produto exige atenção rigorosa devido aos seus efeitos nocivos à saúde quando inalado.
Desde o incidente, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas tem atuado no resfriamento do tanque para evitar que a temperatura continue a subir, o que poderia agravar a situação. A hipótese principal investigada é que uma reação espontânea tenha ocorrido dentro da estrutura, levando ao vazamento.
